A crise que atinge a economia mundial, cujas dimensões reais ainda não estão bem claras, não deve prejudicar o movimento de turistas que veraneiam no Sul da Ilha, na temporada 2008/2009, que começa no dia 21 de dezembro. Pelo contrário, a expectativa é de que ocorra até um incremento no número de visitantes em relação ao verão passado. Isso pelo menos é o que prevê a maioria dos comerciantes e hoteleiros da região. O índice projetado de crescimento no volume de turistas, contudo, varia entre 10%, prognosticado pelos empresários menos eufóricos, até incríveis 20%, imaginado por autoridades do turismo municipal. O efeito negativo das chuvas, que arrasaram regiões do estado e abalaram a imagem de Santa Catarina, podem prejudicar um pouco esse desempenho. Para o Sul da Ilha, especificamente, pesa a favor o grave problema de trãnsito em direção ao Norte da Ilha, o que deve alavancar mais visitantes para a região. Como na temporada passada, de acordo com dados divulgados pela Secretaria Municipal de Turismo, a capital recebeu 780,5 mil visitantes, a perspectiva é que nesta temporada o número de visitante ronde a cada dos 900 mil. O Sul da Ilha, segundo estimativas do trade turístico, absorve em torno de 10% a 12% deste contingente, o que projeta para a região aproximadamente 100 mil visitantes. “Acredito que a região atualmente já responda por mais de 12% da presença total de visitantes na Ilha”, arrisca o empresário Arante Monteiro Filho, proprietário do Restaurante Arante, no Pântano do Sul. O motivo principal do otimismo no que tange ao movimento de turistas, inobstante à crise, é a desvalorização do real frente ao dólar. O empresário Talmir Duarte da Silva, proprietário do hotel e pousada Natur Campeche, entende que o aumento do dólar, encarecendo o custo das viagens ao exterior, desestimula a saída do país. Como conseqüência, turistas de poder aquisitivo médio, das regiões Sul e Sudeste, que normalmente viajavam ao exterior nesta época, devem optar pelo turismo interno, principalmente os destinos mais próximos, como a capital catarinense. Além do estímulo ao turismo interno, o fenômeno cambial também deve favorecer o incremento no volume de visitante estrangeiros, especialmente oriundos da Argentina. “Os argentinos estarão desestimulados a procurar o Caribe e sairá mais em conta vir ao Brasil do que ir a Mar Del Plata, por exemplo”, pondera. Talmir acredita que isso também pode favorecer o incremento dos gastos diários do turista estrangeiro na capital, que na última temporada foi em média de US$ 46,31 diários. O Carnaval, que em 2009 acontece mais tarde, quase no final de fevereiro, também é apontado como positivo para o desempenho da temporada. O vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Florianópolis (Shbrs), Estanislau Emílio Bresolin, contudo, desafina o coro dos contentes. Para ele, embora em tese a desvalorização do real possa favorecer a vinda dos argentinos e o próprio turismo nacional, desestimulando as viagens ao exterior, existe o risco da crise mundial desencadear uma retração geral na atividade turística. O temor dos efeitos da crise, na opinião do dirigente, pode desestimular muitas pessoas a gastarem com viagens de férias. (Foto: Luís Prates/Divulgação/Arquivo/JC)
3 de dezembro de 2008
