28 de janeiro de 2009

ANIMAIS & CIA: Guardião dos pássaros livres

Quem transita pela rodovia SC-406 em direção às praias do Sul da Ilha certamente já deve ter notado a existência de um pequeno e colorido comércio de casinhas e comedouros para pássaros livres, instalado em frente a uma loja de móveis planejados, às margens da rodovia. Por trás da iniciativa está um ex-pescador de 27 anos, Anísio Monteiro Filho, natural de Governador Celso Ramos, que decepcionado com atividade da pesca artesanal, migrou para o Sul da Ilha há quatro anos com a esposa, em busca de novas oportunidades. Com alguma habilidade em marcenaria, logo descobriu nos resíduos da loja de móveis do sogro a matéria-prima para abrir o negócio que mantém até hoje. As casinhas e comedouros são produzidos por Anísio, nas horas vagas da fábrica, onde atua como ajudante de marceneiro, geralmente à noite. As pinturas ficam por conta da esposa. O ponto funciona todos os dias, inclusive finais de semana, principalmente na temporada. O ex-pescador calcula que venda, em média, duas a três por dia nesta época, e avisa que aceita encomendas de modelos de acordo com o gosto do cliente. Só não aceita, sob hipótese alguma, encomendas para fabricação de gaiolas, arapucas e similares, porque é defensor convicto da liberdade para os pássaros. “Criar pássaros livres é melhor, eles chegam mais próximos da gente, e ainda contribuem com o equilíbrio ambiental, no controle de insetos e mosquitos”, pondera. De família de pescadores, Anísio conta que abandonou a atividade porque estava cansado de ganhar muito pouco ou quase nada. Concorrência desleal dos grandes barcos pesqueiros e longos períodos de defeso, de acordo com ele, tornam difícil atualmente sobreviver na atividade artesanal. “Quem quer trabalhar direitinho, sem burlar a legislação, ganha muito pouco, quase não dá pra sustentar a família”, comenta. Sorte dos pássaros livres, que ganharam um guardião no Sul da Ilha. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)