24 de março de 2009

Fim de temporada em alto estilo na praia do Riozinho, no Campeche

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

O desempenho da temporada de verão deste ano no Sul da Ilha ficou abaixo daquele registrado na temporada passada, mas não chegou a frustrar comerciantes e dirigentes locais. A maioria temia desempenho até pior, em função da contra-propaganda decorrente das enchentes e da crise econômica. Um ponto é quase consenso: os argentinos salvaram o mês de fevereiro e contribuíram para melhorar a média de desempenho geral da temporada.
A surpresa maior ainda é que, ao contrário de temporadas anteriores, desta vez os argentinos praticamente tomaram de assalto também as praias do Sul da Ilha. Durante alguns dias da semana, Campeche e outras praias locais pareciam território estrangeiro. A tese é corroborada por dados divulgados no início de março pelo Ministério do Turismo, que apontam um crescimento de 7% no volume de estrangeiros que passaram pelo estado no verão. Foram 545 mil estrangeiros, a maioria de argentinos, contra 509 mil na temporada anterior.
Exultante com a presença dos ‘hermanos’, o comerciante Arante Monteiro, dono de restaurante no Pântano do Sul, acredita até que o movimento de turistas cresceu, pelo menos no ramo da alimentação, graças à volta dos argentinos. “Talvez tenham ficado muito tempo sem vir por causa de problemas econômicos em seu país, então o Brasil apostou muito no turismo dos argentinos e foi esse turismo que salvou este verão em Florianópolis”, assinala.
De olho no filão dos ‘gringos’, Arante defende que o Sul da Ilha precisa melhorar sua estrutura de lazer para atender esse tipo de visitante. Isso porque, conforme ele, os argentinos em geral gostam de vida noturna agitada e o Sul ainda se ressente da falta de opções de vida noturna. “Existem dois tipos de turistas: aquele mais velho, de 40 anos para cima, que prefere lugares mais calmos, com mais natureza, e outro, mais jovem, que quer lugares para sair à noite; os argentinos, no entanto, de todas as idades, gostam muito da vida noturna”, filosofa. “Isso é um problema para o Sul porque, dessa forma, eles não se hospedam aqui, apenas passeiam”, sentencia.
Já o hoteleiro Talmir Duarte, dono de tradicional hotel e pousada no Campeche, acredita que no cômputo geral o movimento foi similar ao da temporada anterior, embora abaixo do esperado. O motivo, de acordo com ele, teria sido o revés da falsa imagem produzida do estado, com o problema das chuvas. “A imagem transmitida foi a de que enfrentamos um problema generalizado, quando, na verdade, a principal afetada foi a região do Vale do Itajaí”, assinala. Sobre o incremento de estrangeiros na região, acha que o principal atrativo da região é justamente as suas belezas naturais e a pouca concentração urbana. “Os estrangeiros querem mais natureza, mais cultura local e procuram praias com menos prédios, menos gente”, analisa.
O diretor da Regional Sul da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF), João Batista Argenta, diz que a avaliação geral dos associados é de que houve queda no movimento geral da temporada, amenizado contudo pela boa presença de argentinos. “A crise econômica e a tragédia das chuvas influenciaram a vinda dos turistas, porém, o turista argentino veio, pois para eles a alta do dólar fez com que a viagem ficasse mais em conta”, analisou. A maioria concorda, no entanto, que o Sul ganhou pontos nesta temporada como destino turístico dentro da capital, desempenho que só não foi mais acelerado por conta dos gargalos de infra-estrutura, especialmente a questão do trânsito. (Foto: Fecakite/Divulgação/JC)