Líderes comunitários do Sul da Ilha temem que esteja em curso um desmantelamento das bases de participação popular na elaboração do futuro plano diretor da capital, na transição para o novo status e comando do IPUF, após a exoneração do ex-presidente Ildo Rosa, que coordenou o Plano Diretor Participativo nos últimos dois anos. Além de não receberem a esperada convocação para retomada dos debates no início deste ano, representantes dos núcleos distritais do Campeche e Pântano do Sul revelam ainda terem recebido comunicados do IPUF, agora sob a presidência de Átila Rocha, solicitando o desmonte das bases existentes, o que resultaria, na prática, no fechametno dos núcleos gestores e das representações distritais. O representante suplente do Núcleo Distrital do Campeche, Ataíde Silva, e o titular do núcleo do Pântano do Sul, Gert Schinke, informam que uma reunião foi convocada pelos dirigentes distritais para discutir a situação. Silva lembra que ainda falta finalizar parte do sistema microviário e macroviário e, acima de tudo, realizar a audiência pública municipal para referendar as diretrizes aprovadas pela população ao longo de mais de dois anos, no que tange à plataforma comunitária para o futuro plano diretor. “A Prefeitura teve dividendos políticos com o plano participativo e agora tem que ir até o fim, como prevê o Estatuto das Cidades, ou buscaremos nosso direito até na Justiça, se for preciso”, assina o dirigente. Schinke afirma que as justificativas apresentadas pelo poder público municipal incluem contenção de gastos e a percepção de que os núcleos já teriam completado suas atividades. “Isso tudo é balela, a participação da população não se resume à coleta de informações sobre as necessidades da região, ainda temos muito pela frente”, dispara. “Encaminhamos solicitação de posicionamento do atual presidente do IPUF sobre isso, e não tivemos nenhuma resposta”, completa. O vereador João Aurélio Valente (PP), que tem base eleitoral no Ribeirão da Ilha e região, acredita que o novo comando do IPUF esteja planejando mudanças na estrutura do plano, para dar maior agilidade à elaboração do projeto. Valente defende a integração da Câmara no processo de confecção do futuro projeto de política urbana para a capital. “Queremos que a Câmara seja envolvida nas discussões, porque está sendo muito demorado, e quando chegar aos interesses comuns vai dar uma encrenca danada”, ponderou.
24 de março de 2009
