Diante do risco iminente de colapso no sistema viário da capital, vem crescendo o movimento em defesa do uso da bicicleta como meio de transporte na capital. Cada vez mais mobilizados, através de entidades específicas, como é o caso da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (Viaciclo), com apoio de segmentos comunitários, os ciclistas reivindicam a adoção de uma política cicloviária efetiva para cidade. “É inegável que o atual governo municipal tem feito bastante nesse sentido, a parte de ciclopistas está bem, mas precisa acontecer em ritmo mais veloz”, assinala o presidente da Viaciclo, Milton Della Giustina. O dirigente garante que o transporte cicloviário pode contribuir de fato para ajudar no equacionamento do tráfego na capital. “A bicicleta não é obviamente a solução, mas é parte da solução, porque se nada for feito o Centro vai parar”, adverte. Segundo Milton, já existiriam estudos comprovando que a bicicleta é mais eficiente em trechos de até oito quilômetros, mas leva vantagem em trechos mais curtos, entre três e cinco quilômetros. “A bicicleta é a substituta ideal para os coletivos intra-bairros, que não existem na capital”, comenta. Recentemente, a entidade se incorporou à manifestação promovida na Lagoa da Conceição, reivindicando a implantação de uma ciclovia na Avenida Osni Ortiga, que liga a Lagoa ao Canto da Lagoa e Rio Tavares. Apesar de sua pouca extensão, em torno de 2,6 quilômetros, ligando áreas estanques sem sistema cicloviário interligado, Milton aponta a obra como importante para integração viária da cidade. Isso porque, explica ele, a bicicleta precisa ser vista também como um meio auxiliar de mobilidade urbana, a ser complementada pelos meios de transporte tradicionais. O uso da bicicleta como alternativa de transporte foi tema de debate da Semana Internacional da Bicicleta, realizada na capital no final de abril, numa iniciativa da Prefeitura, com apoio internacional. Apesar de possuir grande potencial para o uso da bicicleta como transporte alternativo, o Brasil ainda investe pouco em infra-estrutura para esse tipo de veículo. Segundo dados divulgados no evento, seriam apenas 2,5 mil quilômetros de ciclovias no país, enquanto que a Holanda, país que é quase do tamanho de Santa Catarina, possuiria mais de 16 mil quilômetros de malha cicloviária em estradas e outros 18 mil quilômetros nas cidades. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC).
7 de maio de 2009
