7 de maio de 2009

Projeto de emissário submarino de esgoto abala o Campeche

A população do Campeche e região se encontra ainda atônita por conta de uma inesperada proposta, anunciada recentemente pela Casan, de lançamento dos efluentes de esgoto do bairro, acrescido ainda de efluentes de outros três bairros da capital, através de um emissário submarino em mar aberto, na praia do Campeche. O presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam) e membro da comissão sócio-ambiental do bairro, Ataíde Silva, diz que foi pego de surpresa pelo projeto, divulgado através de um tele-jornal local antes mesmo de ser comunicado aos membros da comissão, formada justamente para acompanhar a implantação da rede de esgoto no bairro. O dirigente antecipa que a entidade repudia de forma veemente a proposta e planeja convocar um seminário nas próximas semanas para discutir alternativas para lançamento dos efluentes. Durante o evento, destaca Ataíde, a comunidade pretende deflagrar ainda campanha contra o projeto, taxado de mirabolante, denominada ‘Saneamento, Sim. Emissário, Não!’. O presidente salienta que a entidade não se opõe ao saneamento, pelo contrário, mas defende soluções menos agressivas para o efluente final. A delegada titular do Núcleo Distrital do Campeche no plano diretor, Janice Tirelli, ressalva que o objetivo do evento também é esclarecer aspectos técnicos e científicos do projeto, bem como discutir alternativas de resolução para os efluentes. A dirigente considera um avanço a desistência de lançamento do esgoto, através de emissário, na Baía Sul, como estava previsto no projeto original da rede de saneamento para o Sul da Ilha. Contudo, acredita que existiriam alternativas menos impactantes para o despejo dos efluentes, além do emissário em mar aberto. De acordo com Tirelli, o próprio sistema de emissários já seria uma tecnologia ultrapassada, descartada em vários países. O engenheiro-sanitarista e ex-presidente da Amocam, Adir Vigânigo, atualmente atuando como consultor do Ministério das Cidades, acrescenta ainda que a instalação de um emissário seria extremamente complexa e cara. No caso do Campeche, para ter mínima confiabilidade, de acordo com ele, o emissário teria que possuir em torno de quatro a cinco quilômetros de extensão. A tubulação deve ser confeccionada em polietileno de alta resistência, com diâmetro de 1,5 metro, projetada para durar cerca de 50 anos. “O custo disso é astronômico”, sentencia. Para o engenheiro, haveria alternativas mais baratas e menos agressivas de destino final para o efluente de esgoto do Campeche e região, entre eles o próprio lançamento no Rio Tavares. “Trata-se de um rio de ‘classe 2’, o único nessa categoria existente na capital, que admite o recebimento de esgoto tratado”, justifica. Segundo ele, o lançamento desse efluente a partir da área onde será instalada a estação de saneamento, até o encontro do rio com a Baía Sul, abrangeria extensão de cerca de cinco quilômetros, que poderia ser suficiente para pulverização dos resíduos químicos do tratamento. “Demanda um estudo, mas pode ser viável”, pondera. Outra alternativa seria o reaproveitamento da água resultante do tratamento de esgoto que, tecnicamente, deve possuir mais de 90% de pureza. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC).