25 de junho de 2009

Impasse ameaça futura rede de saneamento do Campeche

O sistema de esgoto do Campeche e região está ameaçado de inviabilização por conta do antagonismo acerca do destino final dos efluentes, envolvendo comunidade e a Casan, executora da obra. A comunidade rejeita de forma taxativa a proposta de implantação de um emissário submarino para despejo dos efluentes de esgoto em mar aberto, na Praia do Campeche. A empresa, contudo, insiste que essa seria a única alternativa viável de destino final para o efluente. Para discutir a questão e tentar buscar uma terceira via para resolução do problema, a comunidade promove ainda neste mês um seminário sobre o sistema de esgoto na região. O presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam), Ataíde Silva, antecipa que é contrário à proposta. Para ele, a aceitação de um emissário seria uma espécie de sinal verde para o colapso da balneabilidade do Campeche, Joaquina, Armação e da própria Ilha de Santa Catarina. “Somos totalmente contra o emissário, porque abre caminho para que se envie esgoto in natura para o mar, até porque a estação de tratamento terá um limite de capacidade”, argumenta. “Com o aumento populacional da região, será muito mais fácil e barato resolver o problema enviando esgoto puro do que ampliando a estação, que demanda alto investimento”, acrescentou. “Quem vai fiscalizar isso depois?’, questiona. “A Casan não é uma empresa confiável em termos operacionais”, atacou o dirigente. Segundo Ataíde, o projeto inicial do sistema de esgoto da região previa o tratamento dos despejos do Rio Tavares e Campeche e seu envio para Rio Tavares, rio considerado legalmente apto a absorver os efluentes. “Depois, para não prejudicar a maricultura, mudaram o projeto e agora querem jogar todo esgoto no Campeche, inclusive de outras regiões”, protesta. O dirigente avisa que a Amocam pretende recorrer ao Ministério Público e à Justiça contra o projeto de emissário. A alternativa defendida pelo dirigente é o reaproveitamento do efluente como água, para uso pelos bombeiros e outros menos nobres. A Casan esclarece, contudo, que o processo de reaproveitamento do efluente na região seria inviável, por questões técnicas e financeiras. “Não queremos saber se o processo de reaproveitamento do efluente é caro; precisamos pensar a cidade e a Ilha no médio e longo prazo”, pondera Ataíde. O presidente da Comissão de Meio-Ambiente da Câmara de Vereadores, João Aurélio Valente, disse que a Cãmara estará atenta ao desdobramento da questão. “Tenho informações de que existem vários equívocos no processo; o esgoto é de extrema importância, mas estão querendo dar uma solução eleitoreira para o sistema”, afirmou. (Foto: Édio Hélio Ramos/Divulgação/JC)