25 de junho de 2009

Risco de alagamento paira sobre morador do Campeche e região

A cada chuva mais forte e continuada, o medo dos alagamentos volta a atormentar a vida de boa parte dos moradores do Campeche e região. As obras de pavimentação asfáltica deflagradas pela Prefeitura em inúmeras ruas da região, que se esperava pudessem pôr fim ao drama dos alagamentos, não resolveu o problema e, em alguns casos, até causou mais dor de cabeça. Os casos mais flagrantes desse paradoxo são as ruas José Elias Lopes e Tereza Lopes, no Jardim Castanheiras. Ambas as ruas, asfaltadas há poucos anos pela Operação Tapete Preto, ficaram literalmente embaixo d’água nas mais recentes enxurradas que atingiram a região, em novembro e janeiro passado. O músico Paulo Sol, que reside há mais de 12 anos na José Elias Lopes, e teve sua tomada pelas águas, conta que nunca enfrentara alagamentos tão dramáticos antes da pavimentação. “O sistema de drenagem implantado nestas ruas é muito deficiente, são bocas de lobo que não levam a lugar nenhum, é só um sumidouro”, assinala. Apesar disso, o morador acredita que o problema dos alagamentos decorre de um conjunto de fatores, e não apenas da drenagem deficiente. ‘Antigamente tinha muitos poços artesianos aqui, que ajudavam a enxugar o subsolo, e hoje quase não tem mais isso”, argumenta. Após os recentes alagamentos, admite Sol, a Prefeitura interviu na área, promovendo alguns ajustes nas tubulações para escoamento das águas. Gato escaldado, contudo, ele mantém pés de madeira em todos os móveis. “Qualquer chuva mais forte, eu não consigo dormir direito”, revela. Muitos não resistem ao sofrimento e desistem do Campeche. É o caso da ex-moradora da Rua Lomba de Sabão, nas imediações da Lagoa da Chica, a empresária Jocely Olivam, de 48 anos. Após viver 12 anos no local, ela decidiu retornar a São Paulo após os estragos causados na sua residência pela enxurrada. A empresária alega que a canalização de água de diversas ruas atendidas pela operação Tapete Preto desemboca na lagoa, sobrecarregando o sistema. Segundo ela, 150 pessoas foram desalojadas pelos alagamentos ocorridos no entorno. O presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam), Ataíde Silva, afirma que a Operação Tapete Preto está sendo feita a toque de caixa, sem consultar a população e as associações de moradores. “No caso da Lagoa da Chica, houve uma sobrecarga da drenagem, o sumidouro até absorve a água, mas não há saída para encaminhá-la a outro lugar, falta um canal para o mar”, alega. O dirigente lembra que também falta fiscalização da Prefeitura e vêm ocorrendo ocupações através de loteamentos clandestinos sobre as áreas de preservação, desrespeitando a lei e comprometendo ainda mais o ecossistema local. (Foto: Luís Prates/Divulgação/Arquivo/JC)