Depois do amplo repúdio à proposta de implantação de emissário submarino para lançamento de esgoto em mar aberto, no Campeche, manifestada de forma acachapante pela maioria absoluta da comunidade local durante recente seminário, lideranças regionais anunciam intenção de promover novo evento em agosto. Segundo o presidente da Amocam (Associação dos Moradores do Campeche), Ataíde Silva, o objetivo seria discutir alternativas técnicas para o sistema, com o descarte dos emissários. “Nossa proposta é zerar o sistema e começar tudo de novo”, afirmou ele, ressalvando que isso não envolve a rede de tubulações. “Não é nada de tirar cano de buraco, e sim outra destinação para o resíduo final; todos querem o tratamento de esgoto, mas não aceitamos o emissário”, assinalou. O movimento mira agora a proposta de mini-estações distribuídas por bairros, para tratar o esgoto de cada localidade, com reaproveitamento do efluente. “Achamos que esse sistema superdimensionado não é a melhor solução”, observou. A ampla rejeição à proposta de emissários não é a única dor de cabeça para a Casan. A obra de edificação da futura estação de esgoto do Rio Tavares, projetada para fazer o tratamento de todo esgoto coletado no Sul da Ilha e, mais tarde, até de outros bairros da capital, entrou na mira de órgãos federais. O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), vinculado ao Ibama, expediu em julho notificação de embargo à obra, por conta da falta de licença federal para intervir em área dentro da Reserva Extrativista da Costeira do Pirajubaé (Resex). A procuradora-geral da República, Analúcia Hartmann, por sua vez, informa que encaminhou recomendação ao Ministério das Cidades e à CEF para interromper o repasse de verbas, enquanto não for equacionada a questão. “A CEF me disse que estaria tentando interromper”, acrescentou. Sobre a proposta de emissários, Analúcia diz que, a priori, não existe rejeição formal do órgão ao modelo, até porque o mesmo ainda está no âmbito das intenções, mas acha justificado o temor da comunidade do Campeche. “Os antecedentes operacionais da Casan não são muito bons”, afirmou. O gerente de Construção da Casan, Fábio Krieger, informou que a notificação do ICMBio não afetou o ritmo das obras na estação. “As obras seguem seu curso, a terraplanagem prossegue normalmente”, assinalou. O documento se encontraria em fase de análise pelas áreas jurídica e ambiental da empresa, para apresentação de respostas. Krieger entende que a área da estação estaria no entorno da Resex, não implicando em dano ambiental. Sobre os emissários, o dirigente informou que ainda não foram concluídos estudos preliminares contratados junto à Univali. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)
3 de agosto de 2009
