Pouco conhecidas pela maioria das pessoas, as lontras têm um porto seguro no Sul da Ilha, mais precisamente no Parque Municipal da Lagoa do Peri. É para lá que são enviados todos os animais desta espécie encontrados em situação de risco ou degradados, resgatados pela Polícia Ambiental da capital. No local funciona o Projeto Lontra, fundado há nada menos do que 23 anos pelo oceanógrafo e ex-professor universitário Oldemar Carvalho Júnior. Os fundamentos do projeto são a pesquisa científica, a recuperação e a reintrodução das lontras no ecossistema. “Nosso foco é devolver o animal ao meio-ambiente, para que possa se reproduzir e viver em liberdade”, reforça a pesquisadora Alesandra Bez Birolo, presidente do Instituto Ekko Brasil, Organização Não Governamental (ONG) mantenedora do projeto. Os recursos para sustentar o projeto, que envolve diretamente cinco pessoas, vêm de parceria com uma entidade holandesa de incentivo ao turismo científico, com apoio de empresas nacionais. Desde sua fundação, relata a pesquisadora, cinco lontras foram recuperadas e devolvidas ao meio-ambiente, a mais recente em agosto de 2005. Parece pouco para tanto tempo de projeto, mas Alesandra explica que o período que envolve a recuperação de um único animal pode beirar os três anos. O pior, alguns não podem mais ser devolvidos. Atualmente, relata ela, o projeto mantém três lontras em cativeiro, duas adultas e um filhote que, dificilmente poderão ser reinseridos no ecossistema. “Temos o caso de um filhote que chegou com os olhos fechados, sua mãe foi morta a tiros por caçadores e ele viveu toda sua vida em cativeiro; então o histórico de um animal deste tipo não permite o retorno à natureza”, explica. As lontras são animais de topo de cadeia alimentar, da família dos muscelídeos, equivalente mais ou menos ao de uma onça pintada no universo dos felinos. Integram a família também a doninha, a irara, o furão e o zorrilho. Quando possui espaço disponível em cativeiro, o projeto abre o leque de atendimentos para outras espécies, em caráter temporário. Atualmente, revela a pesquisadora, dois quatis desfrutam das mordomias e do carinho da equipe do simpático projeto, fincado na bucólica e paradisíaca Lagoa do Peri. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)
3 de agosto de 2009
