3 de agosto de 2009

Lontras têm porto seguro na Lagoa do Peri há 23 anos

Pouco conhecidas pela maioria das pessoas, as lontras têm um porto seguro no Sul da Ilha, mais precisamente no Parque Municipal da Lagoa do Peri. É para lá que são enviados todos os animais desta espécie encontrados em situação de risco ou degradados, resgatados pela Polícia Ambiental da capital. No local funciona o Projeto Lontra, fundado há nada menos do que 23 anos pelo oceanógrafo e ex-professor universitário Oldemar Carvalho Júnior. Os fundamentos do projeto são a pesquisa científica, a recuperação e a reintrodução das lontras no ecossistema. “Nosso foco é devolver o animal ao meio-ambiente, para que possa se reproduzir e viver em liberdade”, reforça a pesquisadora Alesandra Bez Birolo, presidente do Instituto Ekko Brasil, Organização Não Governamental (ONG) mantenedora do projeto. Os recursos para sustentar o projeto, que envolve diretamente cinco pessoas, vêm de parceria com uma entidade holandesa de incentivo ao turismo científico, com apoio de empresas nacionais. Desde sua fundação, relata a pesquisadora, cinco lontras foram recuperadas e devolvidas ao meio-ambiente, a mais recente em agosto de 2005. Parece pouco para tanto tempo de projeto, mas Alesandra explica que o período que envolve a recuperação de um único animal pode beirar os três anos. O pior, alguns não podem mais ser devolvidos. Atualmente, relata ela, o projeto mantém três lontras em cativeiro, duas adultas e um filhote que, dificilmente poderão ser reinseridos no ecossistema. “Temos o caso de um filhote que chegou com os olhos fechados, sua mãe foi morta a tiros por caçadores e ele viveu toda sua vida em cativeiro; então o histórico de um animal deste tipo não permite o retorno à natureza”, explica. As lontras são animais de topo de cadeia alimentar, da família dos muscelídeos, equivalente mais ou menos ao de uma onça pintada no universo dos felinos. Integram a família também a doninha, a irara, o furão e o zorrilho. Quando possui espaço disponível em cativeiro, o projeto abre o leque de atendimentos para outras espécies, em caráter temporário. Atualmente, revela a pesquisadora, dois quatis desfrutam das mordomias e do carinho da equipe do simpático projeto, fincado na bucólica e paradisíaca Lagoa do Peri. (Foto: Luís Prates/Divulgação/JC)