O presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam), Ataíde Silva, afirmou que a entidade pretende recorrer à Justiça, se for necessário, para tentar reverter o plano de instalação de emissário de esgoto em mar aberto no Campeche. O dirigente aposta todas as fichas na reversão da proposta a partir do momento em que forem abertas as discussões públicas sobre o projeto, que precede os licenciamentos, envolvendo a sociedade e o Ministério Público. “Vamos questionar uma série de pontos do projeto, entre eles o porquê de só a Univali estar envolvida na elaboração dos estudos”, afirmou. “Por que só a Univali, não existem outras instituições com capacidade técnica para isso?”, questionou o dirigente. Silva afirma que possui em mãos um relatório, produzido pela própria Fátima, que elencaria nada menos do que 68 pontos contrários à instalação de emissário na costa catarinense. “Mar é reserva federal, vamos cobrar estudo de maré, não pode ser feito apenas por uma universidade”, assinalou. “Além disso, um projeto dessa envergadura exige licenciamento federal, da Secretaria do Patrimõnio da União e do Ibama, só a Fatma não pode legislar sobre o mar”, afirmou. O dirigente informou que, com apoio de líderes comunitários de Ingleses e do Pântano do Sul, e participação de técnicos de fora do estado, será realizado no final de setembro seminário no Campeche para discutir alternativas ao modelo de emissários. O ex-presidente da Associação dos Pescadores do Campeche e conselheiro informal do Ministério da Pesca, Getúlio Inácio, também condena o projeto de emissário. “Inadmissível uma coisa dessas, isso pode gerar mortandade de peixes, afetar o deslocamento dos cardumes”, afirmou. “E o fenômeno da lestada, que é muito comum no nosso litoral, quem garante que o esgoto não vai retornar e poluir nossas praias”, questiona.
25 de setembro de 2009
