3 de novembro de 2009

Cresce movimento contrário a instalação de emissário de esgoto no Sul

Lideranças comunitárias do Campeche, Pântano do Sul e Ribeirão da Ilha, representando associações de moradores, pescadores e núcleos distritais do plano diretor, com apoio da ecologistas e de técnicos da UFSC, acabam de firmar posição contrária ao projeto de implantação de emissários submarinos para o lançamento de efluentes de esgoto em mar aberto na Ilha de Santa Catarina. A posição foi documentada em relatório formal elaborado ao término do evento denominado Oficina de Sistemas Alternativos de Tratamento de Esgoto, realizado no final de setembro, no Campeche. A partir de agora, informou o delegado distrital do Pântano do Sul e um dos coordenadores do evento, Gert Schinke, o documento será finalizado e encaminhado para as principais órgãos envolvidos no processo, Casan, Prefeitura, Governo e Ministério Público, para tentar reabrir o debate sobre o modelo de esgoto em implantação no Sul da Ilha e na própria capital. “Acreditamos que ainda há espaço para reverter o modelo atual”, assinalou. O evento, de acordo com ele, reuniu uma centena de pessoas, nas dependências do Clube Catalina, inclusive de outras regiões da capital. Os segmentos comunitários e ambientais, revela Schinke, defendem um sistema baseado em pequenas estações de esgoto, com reaproveitamento do efluente tratado, através da infiltração no solo. “Entendemos que esse modelo é mais eficaz, oferece maior cobertura e é ambientalmente mais adequado”, ponderou. “Achamos que o esgoto deve ser resolvido no próprio local em que é produzido; temos experiências bem sucedidas de tratamento local na própria capital, inclusive em condomínios”. Apesar do avanço implacável das obras de esgoto em andamento na região, o dirigente ainda crê numa reviravolta. “A Casan conseguiu até agora avançar, mas estamos pressionando para suspender a obra da estação e da própria rede, que é direcionada para o modelo de emissários”, afirmou. “Temos que estancar a obra, para evitar desperdício, adaptando isso de forma mais inteligente”, argumentou. O dirigente informou que a meta agora é levar a discussão para o Norte da Ilha, onde está prevista a instalação de um segundo emissário, na Praia dos Ingleses. A partir do engajamento do Norte da Ilha, mira o dirigente, a expectativa é de seja formado um grande movimento em toda a capital contrário ao modelo de esgoto em implantação na Ilha, baseado em mega-estações e emissários submarinos. Participaram da oficina realizada no Campeche a Amocam (Associação dos Moradores do Campeche), núcleos distritais do Campeche e Pântano do Sul, Movimento SOS Esgoto Sul da Ilha, Associação dos Pescadores Artesanais do Campeche, Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses (FEEC) e Inmar (Instituto para o Desenvolvimento de Mentalidade Marítima. (Foto: Divulgação/JC)