16 de dezembro de 2009

Luta contra projeto de emissário submarino ganha reforço na região

A mobilização contrária à instalação dos emissários submarinos de esgoto em mar aberto, nas praias do Campeche e Ingleses, ganhou um importante reforço desde o início de dezembro. Depois de permanecerem praticamente em silêncio, ou se manifestarem de forma muito tímida contra o modelo, nos bastidores, os maricultores da capital decidiram se incorporar de forma explícita ao movimento que luta contra o projeto de emissários na capital catarinense. A adesão ao movimento foi selada no dia três de dezembro, durante audiência no Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, promovida pelo gabinete do vereador Renato Geske (PR), cujo objetivo era discutir a integração das comunidades do entorno do Rio Tavares à rede de esgoto em implantação na região. O evento, contudo, serviu também para aproximar as duas correntes e culminou com um documento, divulgado por lideranças da maricultura, elencando pontos defendidos pelos participantes, entre eles a rediscussão dos emissários. A pedra de toque da incorporação da maricultura decorre, contudo, de uma bola nas costas sofrida recentemente pelo segmento: a aprovação, pelo Conselho Municipal de Saneamento, do lançamento de efluentes da estação de esgoto em construção no Rio Tavares, no leito do rio de mesmo nome, que desemboca na Baía Sul. Embora a proposta tenha caráter temporário, os maricultores querem anular a proposta , porque entendem que pode causar danos irreparáveis à atividade. Durante recente debate sobre saneamento, houve até um princípio de levante da maricultura contra a administração municipal. Ruy Wolff, sócio da maior produtora de ostras do Brasil, que atua no Ribeirão da Ilha, garante que lançar efluente no rio compromete a qualidade da água da Baía Sul e ameaça a atividade. “Nossa posição é de não lançar na baía e nem no mar; essa posição favorável ao emissário sempre foi da Casan, não é nossa”, afirmou. “Não defendemos só a Baía Sul, estamos assumindo essa bandeira também; emissários, em cinco a 10 anos, dão problemas”, ponderou. Para Wolff, a rede de saneamento estaria sendo implantada na capital à toque de caixa, atendendo a uma agenda política, para gerar dividendos eleitorais já em 2010. “Eles querem acelerar tudo para mostrar serviço, mas nós não temos pressa, queremos um projeto auto-sustentável”. O produtor garante que o segmento pretende recorrer ao Ministério Público e instâncias judiciais para tentar barrar o lançamento de efluente na baía. O dirigente garantiu, por outro lado, que apóia proposta encabeçada pelas comunidades do Sul da Ilha, de pequenas estações de esgoto para se contrapor ao modelo de emissários. O presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam), Ataíde Silva, saudou a incorporação da maricultura ao movimento pela rediscussão do sistema de saneamento em implantação na capital. Para o dirigente, a integração desse segmento fortalece o movimento contra os emissários. “Nós somos radicalmente contra o emissário, mas também não aceitamos desde o início o lançamento de esgoto no Rio Tavares”, assinalou. (Foto: Divulgação/JC)