28 de janeiro de 2010

Campeche pode ganhar parque em área nobre do bairro

O vínculo do ex-piloto e escritor francês Antoine de Saint Exupéry com o Campeche, quando trabalhava como piloto dos correios aéreos franceses, entre o final dos anos 20 e 30, pode deixar um legado para o bairro muito maior do que simples nomes de ruas e registros esparsos em livros de história. A ligação do célebre escritor e da aviação francesa com o Campeche pode resultar no tombamento da rota aérea da região como patrimônio histórico universal, por parte da Unesco (Organização das Nações Unidas para Ciência, Educação e Cultura), gerando dividendos incalculáveis para o bairro e a própria capital catarinense. O pleito pelo tombamento foi referendado no final de dezembro pelo presidente do Conselho de Tombamento da Rota, o francês Max Armanet, durante visita à região. Segundo a diretora de Planejamento do IPUF, Cristina Piazza, que acompanhou a visita, o dirigente ficou impressionado com as características preservadas da antiga rota, incluindo o casarão dos pilotos (na época, conhecido como Popote), onde atualmente funciona a intendência do bairro, o próprio campo de pouso e alguns equipamentos remanescentes da estrutura de apoio da época. “Ele fez um sobrevôo para averiguar como era o pouso e ficou encantado com o grau de preservação; no Brasil, é o único conservado”, assinalou. A rota francesa compreendia de Toulouse a Santiago, no Chile, passando no Brasil por Rio de Janeiro e Florianópolis. Piazza disse que documentos exibidos pelo dirigente francês, como registros de rotas de vôo da época, atestam que Saint Exupéry esteve mesmo no Campeche. “Os documentos comprovam que ele esteve aqui”, testemunha. A visita do dirigente francês, que também é diretor do jornal Libération, teve caráter oficial, com apoio do governo catarinense. Em termos práticos, revelou a diretora do IPUF, o referendo pode agilizar a captação de recursos via Lei Rouanet, oriundos de empresas francesas, para restauração e transformação do antigo prédio num centro cultural. “O projeto para isso já está em fase de finalização; só estamos aguardando a sanção da nova Lei Rouanet para viabilizar o aporte dos recursos e iniciarmos a obra”, explicou. A restauração deve custar em torno de R$ 900 mil e ficar pronta até o final deste ano, estima a arquiteta. O mais significativo dividendo prático do processo, contudo, pode ser a viabilização de uma antiga luta da comunidade local: a transformação do antigo campo de pouso do Campeche, localizado em amplo e nobríssimo terreno no coração do bairro, num parque público. Sensível à importância histórica e comunitária da área, revelou Piazza, a Base Aérea teria autorizado a elaboração de um estudo de viabilidade para cessão e transformação da área em parque público. “Acreditamos que esse estudo deve estar pronto até março para apresentar à comunidade à Base Aérea”, assinalou. (Foto: William Casagrande/Divulgação/JC)