28 de janeiro de 2010

Temporada não empolga na capital

A euforia que pairava sobre as perspectivas de temporada de verão na capital catarinense, que ainda prevalecia até a primeira semana de janeiro, se desmanchou como um castelo de areia sob a chuva antes do final da primeira quinzena do mês. Passada a superlotação registrada na Ilha no período pós-Natal e primeira semana de janeiro, o movimento de turistas despencou radicalmente, gerando apreensão entre os diversos segmentos vinculados à atividade turística. O cabedal de motivos que provocou o impressionante declínio no contingente de visitantes é amplo. O comerciante Arante Monteiro Filho, dono do mais badalado restaurante de praia do Sul da Ilha, antecipa, contudo, que não foi pego de surpresa pela situação. “Eu já alertava que os argentinos não viriam e são eles que seguram a nossa temporada na Ilha; os poucos que vieram ficaram todos no Norte da Ilha”, comentou. Para Arante, a capital catarinense está se consolidando como destino essencialmente de feriadões. “No fim de ano, feriadões, Carnaval e até Páscoa, entope de gente, mas não se consegue mais manter um movimento regular ao longo da temporada”, observa. O comerciante aponta como principal causa o trânsito, que dificulta a mobilidade dos turistas na Ilha. “Muitos não estão vindo mais para Florianópolis por causa das tranqueiras, às vezes quando não dá praia não se consegue nem ir ao shopping”, afirma. A falta de um calendário de eventos dirigido ao público adulto é outro fator apontado como prejudicial ao turismo na capital. “Só temos vida noturna e baladas, que atendem o público jovem, mas o público maduro, casais e famílias, não tem nenhum atrativo afora as praias; é só praia e shopping”, assinala. Arante aponta ainda a questão climática como causa do fraco movimento nesta temporada. “Tá muito pior que o próprio janeiro do ano passado”, sentencia. A nova perspectiva do turismo local, baseada em superlotação nos feriadões e datas tradicionais da temporada, é referendado por outros comerciantes. O gerente de uma tradicional pizzaria do Campeche, Fabrício Duarte, diz que tem constatado essa tendência de sazonalidade dentro da própria temporada nos últimos três anos. “Antes, parece que o movimento de turistas era mais distribuído ao longo da temporada; agora o movimento se concentra no período no final de ano e depois só nos finais de semana, até o Carnaval”, comenta. O dirigente revela, contudo, que no período pós-Natal até a primeira semana de janeiro, o movimento na casa superou as expectativas. “Foi casa cheia praticamente todos os dias”. (Foto: Geremia Photography/Divulgação/JC)