17 de março de 2010

Ameaça de verticalização predial paira sobre o Campeche

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

O fantasma das grandes edificações prediais começa a rondar o Campeche, às vésperas da homologação do novo projeto de lei do plano diretor da capital, que deve acontecer na segunda quinzena de março, para posterior encaminhamento à Câmara de Vereadores, até o final de março. O presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam) e delegado substituto do extinto Núcleo Distrital do Campeche no Plano Diretor Participativo, Ataíde Silva, afirma que o plano concebido pelo IPUF abre caminho para a verticalização na Planície Entremares, que abrange Campeche, Rio Tavares e Morro das Pedras.
Conforme o dirigente, o projeto elaborado pela comunidade, após centenas de oficinas e assembleias comunitárias, ao longo de quase três anos sob a batuta do próprio IPUF, durante o primeiro governo da administração Berger, estaria sendo descaracterizado no projeto que vai à Câmara. “Eles promoveram diversas mudanças no projeto, sem nos permitir a rediscussão dentro da comunidade”, argumentou. A principal e mais preocupante, de acordo com ele, seria a permissão para prédios com seis e até 12 andares em algumas áreas da planície. “Eles querem fazer uma mini-cidade no Campeche”, assinalou. “Planejamos fazer uma audiência pública no bairro, chamando o Ministério Público, para registrar que não estamos sendo respeitados e irmos nos preparando para ingressar na Justiça”, afirmou.
A diretora de Planejamento do IPUF, Cristina Piazza, nega que exista permissividade à construção no projeto em fase de finalização, embora admita que algumas áreas, com solo de maior densidade, deverão ser reservadas para edificações de maior porte. “Mas vamos fixar em metros e não andares, para evitar distorções’, explicou. A dirigente do IPUF alega, por outro lado, que modificações no projeto original foram determinadas ao longo das oficinas, concluídas no início de março. “Todas as alterações aconteceram a partir das oficinas; o que ocorre é que muitos não tinham aparecido e não ficaram sabendo destas mudanças”, pondera a arquiteta. Piazza garante ainda que o plano que será encaminhado à Câmara prioriza o meio-ambiente. “O projeto final prevê 79% de área preservada na capital”, assinalou. (Foto meramente ilustrativa – Divulgação/JC)