17 de março de 2010

Sai primeira audiência sobre projetos de emissários na capital

O polêmico projeto de implantação de emissários submarinos de esgoto na capital acaba de avançar mais um passo na direção da sua viabilização, com a realização, no início de fevereiro, da audiência pública de discussão do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do projeto de instalação do sistema no distrito de Ingleses, no Norte da Ilha. Inobstante às restrições ao projeto levantadas por diversas lideranças comunitárias da região, a decisão sobre o futuro do projeto está nas mãos agora na Fundação Estadual do Meio-Ambiente (Fatma) e deve sair nas próximas semanas. O gerente de Construção da Casan, Fábio Krieger, entende que a audiência foi positiva, sem entrar no mérito dos questionamentos, e aguarda um desfecho favorável à implantação do sistema. “Agora temos que esperar as considerações da Fatma, que pode decidir pelo licenciamento de instalação da obra ou determinar novos estudos ao projeto”, comentou. O dirigente ressalta que não está descartada a possibilidade de realização de nova audiência pública do projeto, dependendo de seus desdobramentos. A audiência realizada no salão de bailes Albino foi acompanhada com muito interesse por lideranças do Campeche, vinculadas ao Movimento de Saneamento Alternativo (Mosal). Os dirigentes locais, contrários ao modelo de emissários, entendem que o desfecho da questão de Ingleses pode ser determinante para o mesmo projeto idealizado para o Campeche. “O que a gente percebeu é que há muitas pessoas contra o projeto em Ingleses; calculo que 90% dos discursos foram contrários ao projeto”, afirmou o presidente da Associação de Moradores do Campeche (Amocam) e dirigente da Mosal, Ataíde Silva. O movimento, de acordo com Silva, está voltado atualmente à execução de estudos técnico-financeiros, com apoio da UFSC, para projetar os custos estimados de instalação de um projeto alternativo aos emissários. O Mosal defende a implantação de um modelo de saneamento baseado em mini-estações de tratamento de esgoto, com infiltração no solo do efluente tratado. “Assim que tivermos este estudo pronto, vamos encaminhar à Casan, governo e Ministério Público”, afirmou. A Casan informou, por outro lado, que aguarda autorização da Prefeitura da capital para dar a largada a novas etapas de instalação da rede de tubulações no Campeche, envolvendo algumas ruas principais, entre elas Pequeno Príncipe, Gramal e Auroreal, todas asfaltadas. “Antes do final de março devemos iniciar obras numa dessas três ruas”, afirmou Krieger. O dirigente revelou ainda que as obras da estação do Rio Tavares seguem paralisadas, por conta de embargo determinado pela Justiça em dezembro. (Foto: Gilberto Gonçalves/Folha do Norte da Ilha/Divulgação/JC)