27 de abril de 2010

Ressaca provoca estragos e abala 30 residências na Armação

A ressaca que castigou o litoral catarinense no começo de abril deixou um rastro de destruição na praia da Armação do Pântano do Sul. Quase 30 residências, situadas defronte à praia, sofreram abalos em suas estruturas, sendo que sete foram interditadas pela Defesa Civil. A maioria dos danos envolveu pisos, muros e paredes das residências. Até a escada da igrejinha, acesso tradicional à praia, teve sua estrutura abalada pelo fenômeno. O drama trouxe de volta à tona a discussão sobre a ocupação irregular nas praias da Ilha. Muitos entendem que o mar apenas estaria retomando o que é seu, tese rebatida por alguns donos de imóveis no local, que alegam que o problema seria fruto de fenômeno que ao longo dos últimos anos vem encolhendo a faixa de areia do balneário. Alguns juram que edificaram no local há mais de 30 anos, respeitando o recuo obrigatório do mar. O engenheiro Sérgio Aspar, presidente do Conselho Comunitário Armação Unida, acredita que o problema vai fortalecer a mobilização da comunidade local pela ‘revitalização’ do balneário, pleiteada junto à Prefeitura. O dirigente acha necessária a ampliação da faixa, sob pena de colapso do balneário, mas admite que sua viabilização será uma batalha difícil. “Sou a favor da ampliação, mas a partir de um estudo aprofundado, sob pena de ser uma solução também paliativa”, afirma. Aspar acha, no entanto, que os moradores têm culpa no cartório pela situação, embora entenda que não seria justo neste momento se fazer uma caça às bruxas. “Todas os que foram atingidos construíram em cima de dunas, porque na época não se fiscalizava’, assinalou. “Pessoalmente, sou contra construir sobre duna, mas agora temos é que tratar de minimizar o problema”, acrescentou. Além da ocupação avançada sobre a área de marés, o dirigente aponta a construção de um pequeno molhe, dividindo Armação e Matadeiro, como principal causa do problema. “Isso provocou um déficit de areia na praia da Armação e um acúmulo de areia no Matadeiro”, afirmou. O engenheiro acredita que a solução, a curto prazo, é a colocação de pedra para segurar as construções. “O momento é de segurar o que tem”, assinalou. (Foto: Daniel Pires/Divulgação/JC)