As rodovias do Sul da Ilha se transformaram, nos últimos meses, num verdadeiro laboratório de tráfego para a Prefeitura da capital e a Polícia Militar Rodoviária. A cada dia surge uma inovação. Depois do corredor exclusivo para ônibus aos finais de tarde, na Avenida Jorge Lacerda, implantado ainda no ano passado, vieram recentemente as escoltas para comboios de ônibus para o terminal do Rio Tavares, em dois horários, separação de pistas para aeroporto e Sul e, por fim, o emblemático sentido único para o centro pela manhã, durante 20 minutos. Testado durante três dias, na primeira quinzena de abril, o sentido único Sul da Ilha-Centro, entre 7h10 e 7h30, foi de longe aquele que melhor funcionou, propiciando um desenlace efetivo do tráfego rumo ao centro, embora impacte sobre aqueles que fazem o percurso no sentido contrário. Por isso, a PMRv anunciou, no dia 16/04, que o sistema passa a ser ‘permanente’, de segunda a sexta-feira. O trecho em sentido único se estende do Trevo do Campeche ao Trevo da Seta. A PMRV informou que pretende iniciar estudos para estender a operação também o percurso de volta, no sentido Centro-Sul, aos finais de tarde. Como toda inovação, no entanto, o esquema divide opiniões. A administradora de empresas Adriana Ferreira, que faz o percurso diário pela manhã do Campeche ao Centro, acha que a novidade funcionou. “Quando libera a pista, é cinco minutos até o Trevo da Seta”, exalta. Em condições normais, segundo ela, o trajeto não é feito em menos de 30 ou 40 minutos. A administradora critica, no entanto, a segmentaçãoda pistas para o Sul da Ilha e aeroporto, que acontece nos finais de tarde. “Enquanto a fila que vai para o Sul fica enorme, no lado direito passa um ou outro carro; isso tem quer revisto, não pode ficar assim”, reclama. O presidente da Associação de Moradores do Campeche (Amocam), Ataíde Silva, acha que a inovação interfere no direito de ir e vir das pessoas. “Muitos pais que vem trazer seus filhos para as escolas no Campeche agora estão tendo um transtorno enorme”, argumenta. “Essa medida é perigosa também porque o governo pode achar que o problema tá resolvido, e não investir nas obras necessárias para a solução definitiva do problema”, arremata. (Foto: William Casagrande/Divulgação/JC)
27 de abril de 2010
