14 de junho de 2010

Após destruição, começa obra de recuperação na Praia da Armação

Depois de viver sob tensão durante quase 60 dias, por conta do avanço incontrolável do mar, que danificou 46 casas e destruiu outras 16, de acordo com dados da Defesa Civil, a comunidade da Armação do Pântano do Sul começa a respirar mais aliviada. O motivo foi o início, no final de maio, das obras de contenção em pedras ao longo da orla local, executada em caráter de emergência pela Prefeitura da capital. Embora polêmica, por conta do impacto ambiental, a obra vêm surtindo efeito para conter a fúria do mar e evitar novas destruições de moradias. “As obras estão funcionando, conseguiram tirar a força das ondas; já se percebe até no semblante dos moradores, que estão mais aliviados”, comentou o engenheiro Sérgio Aspar, ex-presidente do Conselho Comunitário Armação Unida. A obra prevê, numa primeira fase, a construção de um paredão de pedras para contenção do mar, com aproximadamente 1.750 metros de extensão. Os trabalhos devem se estender por cerca de três meses. A segunda fase da obra, no entanto, gera muita polêmica, pelo seu impacto ambiental, porque prevê uma base de pedras sobreposta por toneladas de areia, para recriação da praia. “Acho que a praia poderá ser recriada, mas terá uma característica morfológica diferente, não será mais a mesma”, assinala Aspar. “Pelo que vimos do projeto, as pedras poderão realmente desaparecer, ressurgindo a praia, mas muitos estão temerosos com desfecho final dessa intervenção”, acrescentou. Dona de imóvel destruído pela ressaca, a autônoma Olgabel Gomes da Rosa, também teme pelo futuro da Armação. “Desejo muito que a praia volte a ser o que era, mas temo que isso possa demorar muito”, comentou. Residente no local há 16 anos, com três filhos, Olgabel conta que resistiu no local até o final de abril, quando a destruição de seu imóvel se tornou irreversível e teve que buscar refúgio na casa de parentes. “Procuramos ajuda na Prefeitura e Floram, mas ninguém pôde fazer nada para nos ajudar”, lamentou. (Fotos: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC e Sérgio Pires/www.suldailha.com/Divulgação/JC)