Depois de viver sob tensão durante quase 60 dias, por conta do avanço incontrolável do mar, que danificou 46 casas e destruiu outras 16, de acordo com dados da Defesa Civil, a comunidade da Armação do Pântano do Sul começa a respirar mais aliviada. O motivo foi o início, no final de maio, das obras de contenção em pedras ao longo da orla local, executada em caráter de emergência pela Prefeitura da capital. Embora polêmica, por conta do impacto ambiental, a obra vêm surtindo efeito para conter a fúria do mar e evitar novas destruições de moradias. “As obras estão funcionando, conseguiram tirar a força das ondas; já se percebe até no semblante dos moradores, que estão mais aliviados”, comentou o engenheiro Sérgio Aspar, ex-presidente do Conselho Comunitário Armação Unida. A obra prevê, numa primeira fase, a construção de um paredão de pedras para contenção do mar, com aproximadamente 1.750 metros de extensão. Os trabalhos devem se estender por cerca de três meses. A segunda fase da obra, no entanto, gera muita polêmica, pelo seu impacto ambiental, porque prevê uma base de pedras sobreposta por toneladas de areia, para recriação da praia. “Acho que a praia poderá ser recriada, mas terá uma característica morfológica diferente, não será mais a mesma”, assinala Aspar. “Pelo que vimos do projeto, as pedras poderão realmente desaparecer, ressurgindo a praia, mas muitos estão temerosos com desfecho final dessa intervenção”, acrescentou. Dona de imóvel destruído pela ressaca, a autônoma Olgabel Gomes da Rosa, também teme pelo futuro da Armação. “Desejo muito que a praia volte a ser o que era, mas temo que isso possa demorar muito”, comentou. Residente no local há 16 anos, com três filhos, Olgabel conta que resistiu no local até o final de abril, quando a destruição de seu imóvel se tornou irreversível e teve que buscar refúgio na casa de parentes. “Procuramos ajuda na Prefeitura e Floram, mas ninguém pôde fazer nada para nos ajudar”, lamentou. (Fotos: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC e Sérgio Pires/www.suldailha.com/Divulgação/JC)
14 de junho de 2010
