14 de junho de 2010

Ressaca deixa rastro de estragos no Campeche

A ressaca que atinge o litoral da capital, a maior registrada nos últimos 10 anos, também vem deixando um rastro de estragos na Praia do Campeche. Até o dia quatro de junho, conforme dados da Defesa Civil, quatro casas estavam interditadas e outras 10 apresentavam risco de desabamento no balneário, todas localizadas entre o tradicional pico do surfe e o Morro das Pedras, na região também conhecida como Areias do Campeche. Conforme técnicos da Defesa Civil, todas as edificações estariam tecnicamente irregulares, construídas sobre dunas e área de preservação permanente. Dono de uma das casas atingidas, na Servidão dos Pinheiros, assegurou, em entrevista à rádio CBN, no dia 01/06, que sua casa, de madeira, já estaria instalada no local há cerca de 30 anos, embora tenha adquirido a mesma há pouco mais de 13 anos. “A parede da frente da minha casa desabou; nunca vi por aqui uma ressaca desta intensidade; às vezes dá ressaca de dois ou três dias, mas essa durou pra lá de 15 dias”, afirmou. A Defesa Civil informou que, desde o começo de junho, vem monitorando a situação no balneário. Boa parte das edificações foram destruídas em caráter irreversível, ficando literalmente sem terreno em função da escavação da duna provocada pelas marés. Alguns perderam, por enquanto, apenas parte de seus terrenos. “Contei pelo menos seis que não tem mais volta, porque não existe mais o imóvel; outros ainda podem recuperar o terreno, mas passa a ser temerário reconstruir no local”, comentou o ex-presidente da associação de moradores, Ubiratan Saldanha, que esteve no local verificando os estragos. Para Saldanha, a principal causa do problema seria a irregularidade das construções. “Sinto muito por algumas dessas famílias e pessoas atingidas, muitas até inocentes, que adquiriram imóvel no local de boa-fé, mas acho que essas casas não poderiam ter sido construídas onde estão”, analisou. “Isso mostra que não existem obstáculos para o mar, é uma espécie de pedágio pelo uso irregular da área”, assinalou. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)