6 de agosto de 2010

ARTIGO: Emissários submarinos são desnecessários

No artigo publicado nesta página, o presidente da Casan, Sr. Walmor de Luca, ressalta um suposto “desconhecimento sobre o funcionamento dos emissários submarinos”. Apressada conclusão. Sofisma 1: afirma ele que constituem um “tratamento adequado”. Os emissários ‘não são’ equipamentos de tratamento de esgotos, mas emissores de efluentes já tratados, supostamente bem tratados, quesito no qual a companhia que dirige se mostra precária. Sofisma 2: afirma que as águas marítimas têm a “magnífica capacidade de autodepuração ao promoverem a diluição, dispersão e a decantação de cargas poluentes”. Parte ele da premissa, portanto, que os esgotos não estão devidamente bem tratados ao serem lançados, embora mais adiante afirma que as futuras ETEs do Campeche e de Ingleses darão tratamento secundário e terciário aos mesmos. Infere-se, pois, que serão inertes, não acarretando poluição. Mas, se não causarão poluição, porque lançá-los no mar? Não seria mais lógico dispersar esta água doce tratada nas cabeceiras dos rios próximos as ETEs, realimentando os lençóis freáticos para fechar o ciclo? Assim os emissários seriam dispensados. Nos brinda com o silogismo: “em Laguna um emissário funciona há mais de 10 anos sem causar quaisquer problemas de balneabilidade”. Logo, em Florianópolis, também não causará problemas. A questão não se resume à balneabilidade, mas sim ao impacto global na orla, já por demais afetada. A premissa nos induz a crer que o mar ainda suporta impactos, desde que suaves, na contramão do que o mundo apregoa – deixá-lo em paz. O modelo centralizado proposto pela Casan é o fator determinante para a concentração dos efluentes e só interessa às empreiteiras, aos atores políticos envolvidos e às empresas avessas ao monitoramento de seus resultados. Mutatus mutandis, no modelo descentralizado, os efluentes são totalmente absorvidos lá onde a natureza pode realizar esse serviço ambiental. E de graça. Ecologicamente sustentável e valendo-se da complementaridade de sistemas de tratamento, respeita as bacias hidrográficas, é menos energívoro, além de ser, em muitos casos, mais barato. Em paródia, tomara que Florianópolis jamais chegue onde o Rio de Janeiro e outras capitais já estão há muito tempo. Aqui poderíamos fazer melhor. (Gert Schinke, ecologista e membro do Mosal (Movimento de Saneamento Alternativo) da capital)