A demolição do Bar do Chico provocou um clima de revolta generalizada na região. Um dos mais indignados era o presidente da Associação dos Moradores do Campeche (Amocam), Ataíde Silva, que testemunhou ao vivo a ação demolitória. “Isso é uma hiprocrisia; ninguém é contra, mas então que se derrube tudo que é feito sobre dunas, que a lei valha para todos”, disparou o dirigente. “Enquanto derrubam o Bar do Chico, põem pedras para salvar imóveis na Armação; isso é perseguição política, é dois pesos e duas medidas”, acrescentou. Outros viram com tristeza o desfecho do tradicional bar. “Fiquei chateado pelo que aconteceu com o Bar do Chico; senti um aperto no peito, perdemos de novo um lugar de encontro dos amigos; foi como se um filme passasse na minha cabeça”, afirmou Edson Adriano Daniel, o Edinho, dono do antigo Sufocos, que funcionou durante 10 anos próximo ao Bar do Chico, demolido pela Floram em junho de 1999. O cineasta Ademir Damasco, que há poucos anos produziu um documentário com Seu Chico, denominado “Seu Chico e o Presente”, era outro inconformado com o fim do bar. “Sou freqüentador daquele local há mais de 30 anos, que é pico de surfe, antes do próprio bar; nas três tentativas anteriores de demolição eu estive presente”, comentou. “Perdemos uma referência cultural, um ponto de encontro da comunidade, de shows, o Onodi (bloco carnavalesco) nasceu ali”.
6 de agosto de 2010
