6 de agosto de 2010

Floram promove demolição de bar histórico no Campeche

O Campeche perdeu, na fria e cinzenta manhã do dia 16 de julho, aquele que era considerado um de seus maiores símbolos e ponto de referência, o tradicional Bar do Chico. Depois de resistir a três tentativas consecutivas de demolição, duas no governo municipal anterior e a mais recente, no primeiro mandato da atual administração, graças à mobilização da comunidade local, o estabelecimento que funcionava há mais de 30 anos sobre dunas à beira mar, na Praia do Campeche, foi finalmente demolido por fiscais da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), com apoio de policiais militares e maquinário pesado. A operação de demolição, iniciada no raiar do dia, pegou a comunidade de surpresa e, quando principiou uma aglomeração de moradores no local, já era tarde. Pouco depois das 11 horas da manhã, só restavam entulhos do que fora o famoso e badalado bar, que costumava atrair uma ampla fauna de descolados, artistas, jornalistas, professores, surfistas, escritores, ambientalistas e turistas, nacionais e estrangeiros, sendo reconhecido como atração turística da região até mesmo fora do estado e país. A demolição, de acordo com a Floram, foi amparada numa decisão judicial expedida pelo juiz Hélio do Valle Pereira, da Unidade de Fazenda Pública da capital, na segunda quinzena de junho. A sentença seria decorrente de uma ação interposta pela Floram ainda na época do governo da ex-prefeita Ângela Amin, por conta da sua edificação sobre área de preservação permanente. Técnicos da Floram teriam declarado a uma repórter que testemunhou a ação, que a ordem era de não derrubar o bar no caso de haver resistência popular. Dessa vez, não houve. O famoso Bar do Chico, criado e mantido pelo pescador Francisco Alexandrino Daniel, o Seu Chico, atualmente às vésperas de completar 87 anos, com apoio de familiares, era na verdade não mais do que uma modesta edificação em madeira simples, com amplo avarandado. Pela sua localização estratégica, situado em meio a uma vasta extensão de praia sem qualquer benfeitoria, servia como área de sombra e ponto de encontro tradicional dos freqüentadores da praia. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)