O prejuízo provocado pela ressaca começa a ser assimilado pelos moradores das regiões atingidas, no Sul da Ilha. A autônoma Olgabel Gomes da Rosa, que morou por 16 anos numa ampla casa à beira-mar, na Armação, e teve que deixá-la às pressas, no final de abril, para preservar sua integridade física e a de seus três filhos, é uma das que parou de lamentar o abalo sofrido pela perda financeira e emocional. “É triste, mas no meu caso não tem o que fazer, porque o terreno deixou de existir simplesmente”, comentou. “Não tem mais terreno, não tem pelo que brigar”, acrescentou. Parte do antigo terreno da autônoma está tomado pelas rochas da obra de enrocamento, que passou a ser área pública. Seu terreno que tinha mais de 700 metros quadrados, revela Olgabel, ficou resumido a pouco mais de 60 metros quadrados, onde está construída uma pequena edícula, que foi preservada. “A edícula se salvou, estou cuidando dela, fazendo alguns reparos”, comentou. Segundo ela, a Prefeitura teria informado que um topógrafo irá brevemente ao local, para fazer medições e definir os novos limites dos terrenos frontais ao mar. O drama das ressacas também teria provocado uma momentânea desvalorização dos imóveis situados na Costa Sul e Leste da Ilha, especialmente aqueles situados em áreas fronteiriças ao mar, de acordo com fontes do mercado imobiliário. Corretores estimam, contudo, que até meados do segundo semestre os preços já deverão voltar aos patamares tradicionais.
6 de agosto de 2010
