Angelo Poletto Mendes/Redação JC
O Sul da Ilha terá reforço na área da segurança pública, no âmbito das polícias civil e militar, para tentar conter o avanço da criminalidade que assola a região. Nos últimos dois meses, uma onda de roubos e assaltos a estabelecimentos comerciais, além dos recorrentes furtos a residências, tem atormentado a vida de moradores e empreendedores da região. O alvo principal tem sido os supermercados, com mais de uma dezena de ocorrências de assaltos a mão armada. Espremidas pelas carências crônicas de efetivo, as corporações anunciam medidas pontuais, nas áreas operacionais e estratégicas, para fazer frente a bandidagem.
A Polícia Civil informa que vai remover a sede da atual 2ª Delegacia de Polícia, no Saco dos Limões, para mais próximo do centro nervoso da região, possivelmente entre o Rio Tavares e Campeche. “O ideal seria o mais centralizado possível, mas isso ainda está sendo estudado, revelou o novo diretor de Polícia da Grande Florianópolis, Anselmo Cruz. O dirigente informa que analisa ainda a possibilidade de instalar uma segunda delegacia na região. “Estamos fazendo um raio-x da região, para se avaliar demandas e definir uma nova logística; não está descartada a possibilidade de optarmos por uma nova unidade na região”. A delegacia do Saco dos Limões é a única do Sul da Ilha, responsável pelo atendimento de uma população estimada atualmente em mais de 60 mil pessoas. Conta com uma estrutura de dois delegados e 30 policiais.
A Polícia Militar, por sua vez, informa que estão sendo intensificadas as rondas policiais, amparadas por um trabalho de inteligência, além das blitz em áreas estratégicas. “O comandante determinou que todas as viaturas a partir de agora tem que circular de giroflex ligado, e mesmo que esteja parada, por qualquer motivo, tem que manter o aparelho ligado”, revelou o tenente-coronel Amorim, sub-chefe de Comunicação Social da PM. O dirigente acredita que a forte repressão ao tráfico empreendida pela polícia pode ser a causa da onda de roubos a supermercados. O motivo seria a obtenção de dinheiro líquido para pagamento de dívidas dos pequenos traficantes com os patrões do tráfico.
Outra aposta das forças policiais para combater a criminalidade é a denominada Operação 24 Horas, deflagrada a partir de julho em todo o estado. A primeira etapa da operação, ocorrida no início do mês, resultou na prisão de 277 pessoas, mais de três mil abordagens, nove quilos de drogas apreendidas e 54 mandados de busca e apreensão cumpridos. No final de julho, informou o tenente-coronel Amorim, foi realizada a segunda etapa da operação, envolvendo também o Sul da Ilha.
Acerca da carência de policiais nas ruas para o trabalho de prevenção e repressão ao crime, principal reclamação dos comerciantes e moradores do Sul da Ilha, o dirigente informa que a expectativa é para a integração de um novo contingente de policiais por concurso público recentemente anunciado pelo governo estadual. Serão 2.623 novos policiais, 2.023 na Polícia Militar e 600 na Polícia Civil. Atualmente, a PM possui três mil policiais na Grande Florianópolis e 11,5 mil em todo o estado. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)
