29 de outubro de 2010

Moradores contestam avanço de grandes edificações no Campeche e região

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

Enquanto a prometida retomada das discussões acerca do futuro plano diretor da capital não acontece, dirigentes comunitários do Campeche começam a se mobilizar para tentar conter o avanço dos grandes empreendimentos imobiliários na região. “O que estamos assistindo hoje é uma proliferação indiscriminada de grandes edificações, a maioria contrária ao projeto de plano diretor que defendemos, sendo que muitas não respeitam sequer questões básicas da legislação ambiental e de urbanismo”, assinalou o presidente da Associação de Moradores do bairro (Amocam), Ataíde Silva. “Na prática, estão promovendo a verticalização no grito”, acrescentou.
Silva disse que a associação está encaminhando à Procuradoria Geral da República um documento contendo fotos e filmagens sobre os principais empreendimentos de grande porte em obras na região e alguns ainda em fase de projeto, reivindicando a intervenção da Justiça. “Fizemos um levantamento detalhado, mostrando todas as falhas e riscos que representam ao meio-ambiente e à infra-estrutura da região”, comentou. “Queremos que se apliquem sobre eles todas as exigências legais, como relatórios de impacto de vizinhança, lei de gerenciamento costeiro, projetos de mobilidade, saneamento básico e contrapartidas à comunidade”, ponderou.
Na avaliação do dirigente, o próprio decreto baixado neste ano pelo prefeito Dário Berger estabelecendo uma moratória para novas edificações na região do Itacorubi, que acabou rejeitado pela Câmara Municipal, conteria subsídios para dar suporte à contestação comunitária. “Não é admissível que um empreendimento, por exemplo, que vai trazer mais mil pessoas e pelo menos 300 carros para o Campeche não ofereça uma contrapartida, uma praça sequer à comunidade”, argumentou. “Existem projetos tão mal elaborados, que a simples entrada de um caminhão de mudanças chega a paralisar o tráfego na rua”.
O dirigente denuncia que um complexo residencial local estaria lançando até esgoto na rede de drenagem da rua, por conta da saturação de seu sistema de saneamento. “Sei disso porque tenho um conhecido que reside neste local e me contou que tem dias que o mau-cheiro é insuportável”, afirmou Silva. “Queremos que se adote um TAC (Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para esses empreendimentos, que se eles se adequem às exigências legais e ofereçam uma contrapartida à comunidade; senão, esse discurso de projeto moderno e auto-sustentável não passa de balela”, disparou. (Foto1: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC – Foto2: Luís Prates/Arquivo-2007/Divulgação/JC)