Às vésperas de completar três anos de seu início, em janeiro próximo, as obras de pavimentação da Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha, seguem provocando muita polêmica, que vai muito além da morosidade envolvendo sua execução. Morador do Alto Ribeirão há cerca de quatro anos, o cenógrafo Dário Luciano Aguiar, alega que a obra teria flagrantes falhas técnicas. “O asfalto já está trincando em vários pontos, os meios-fios estão pessimamente assentados, a calçada mal feita; não precisa ser técnico para perceber que é um trabalho de baixíssima qualidade”, dispara. “O que me impressiona é que se tolere uma obra desse nível; não existe esquema de fiscalização?”, questiona. “Essa obra certamente foi orçada a valores de mercado; vamos pagar por um trabalho de alto nível e, no entanto, receber um produto de quinta categoria; está obra não está sendo feita de favor, trata-se de dinheiro público”, desabafa Aguiar. “Acho que o nosso dinheiro está sendo muito mal aplicado; se fosse uma obra pessoal minha, eu não pagaria, suspenderia na hora”, acrescentou. O morador critica também o ritmo de execução dos trabalhos. “Essa obra não está sendo tocada de forma contínua, eles vem por períodos, saem e voltam”, alegou. Nativo e morador do Ribeirão da Ilha há 40 anos, o autônomo Renato Natal, tem outra opinião sobre a obra. “Pobre é complicado; quando se andava no barro, achava ruim; agora que tem asfalto também reclama; será que querem um manto de ouro”, ironiza. “Afora a demora na conclusão, eu só tenho é que agradecer por esta obra, porque antes eu andava no barro; isso que o asfalto nem chegou na frente da minha casa, que fica a uns 400 ou 500 metros de onde parou”. Natal admite, contudo, alguns problemas. “Claro que tem umas coisinhas erradas, as calçadas têm algumas falhas, a obra tá lenta; mas no geral tá boa, a minha maior reclamação mesmo é que não termina nunca”, assinalou. “Não resta dúvidas que está melhor do que estava, mas isso só não basta; esta obra deveria ficar impecável”, reitera o cenógrafo Aguiar. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)
29 de outubro de 2010
