O risco iminente de colapso no sistema viário da capital não chega a preocupar os empresários do turismo da capital acerca das perspectivas da temporada de verão 2010/2011, que começa na segunda quinzena de dezembro. Mesmo com essa flagrante deficiência de infra-estrutura, a maioria está otimista e aposta num incremento de até 15% no número de turistas que visitarão a capital nesta temporada. No verão passado, de acordo com dados oficiais, a capital teria recebido cerca de 1,5 milhão de turistas, o que leva a crer, pelos prognósticos, que teremos mais de 1,7 milhão de visitantes na nova temporada. O recém reeleito presidente da seccional catarinense da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH/SC), João Eduardo Amaral Moritz, elenca uma série de elementos que corroboram suas expectativas. “No verão passado, tivemos o Carnaval muito cedo e aulas também começaram cedo, encolhendo a temporada; nesta, o Carnaval só acontece em março, o que estica bastante o período de veraneio”, pondera. O clima pós-eleitoral, o bom momento da economia brasileira e as perspectivas climáticas também contribuiriam para essa perspectiva. A capital, de acordo com Moritz, possui atualmente cerca de 500 meios de hospedagem convencionais, entre hotéis e pousadas, que disponibilizam em torno de 40 mil leitos, num incremento de 10% em relação à temporada passada. Apesar dessa boa oferta, o setor só atinge 100% de ocupação efetiva na virada do ano. “Ocupação de 100% só acontece no ano novo, não existe nenhuma outra data em que se atinja esse pico, nem no Carnaval”, observa. Para ampliar os índices de ocupação, a hotelaria aposta na melhoria do perfil sócio-econômico dos visitantes. “O padrão do turista deve melhorar um pouco”, avalia. O empresário Talmir Duarte da Silva, dono de hotel e pousada tradicional no Campeche, acredita que a nova temporada será a segunda melhor dos últimos 10 anos. “Detectamos isso pelo número de consultas e reservas antecipadas, que tem sido muito bom”, justifica. Para ele, além das questões conjunturais favoráveis, inclusive as tendências climáticas, a capital gozaria de um magnetismo ímpar para ampliar sua base de turistas. “A capital e o Sul da Ilha são a bola da vez no turismo nacional e até internacional; pesquisas revelam que Florianópolis é o destino mais cobiçado pelos turistas nacionais”. Acerca do Sul da Ilha e o Campeche, especificamente, o dirigente ressalta a expansão comercial e residencial da região como elemento agregador ao incremento natural de turistas, inobstante seus impactos urbanísticos e de mobilidade. “Os novos empreendimentos atraem executivos, que se hospedam na hotelaria local, famílias, que vem pesquisar lugar para morar; a própria rede de gastronomia é favorecida, aquecendo a economia local como um todo”, avalia. “Nosso calcanhar-de-aquiles é, sem dúvida, a questão da mobilidade, mas isso não é problema exclusivo do Sul da Ilha, é de toda a capital”, assinala. (Foto: Geremia Photography/Divulgação/JC)
17 de dezembro de 2010
