Catapultada por sucessivas matérias lisonjeiras publicadas na grande imprensa, enaltecendo corpos sarados e lindas mulheres e, finalmente, um polêmico show internacional, a Praia do Campeche virou definitivamente a praia da moda do litoral catarinense neste verão, desbancando as glamurosas Jurerê, Brava e Santinho, meninas-dos-olhos do grande empresariado local. O fenômeno entusiasma muitos moradores e comerciantes da região, ao mesmo tempo em que revolta outros tantos, principalmente lideranças comunitárias e moradores mais antigos. Depois de conviver por muitos anos sob a alcunha de praia de pobres e farofeiros, essa ascensão gradual à praia da moda deve-se em muito ao ilhéu Marquinhos Santos, dono de uma ampla área defronte ao denominado Point do Riozinho, no Campeche. Sem medir esforços e nem recursos para divulgar o local, com apoio de setores da mídia, transformou- o num nicho altamente badalado e cobiçado, um espaço quase à parte do Campeche, atraindo celebridades e veranistas em geral. O hoteleiro Talmir Duarte da Silva, dono de uma das pousadas mais conhecidas do Campeche, acha positivo esse movimento em direção ao balneário. “O Campeche é a bola da vez do turismo da capital, isso estava previsto há muito tempo por consultores e está acontecendo exatamente como se previa”, argumentou. “A Ilha vai passando por transformações ao longo do tempo, antigamente era a praia da Beira-Mar, depois Bom Abrigo, Canasvieiras, Jurerê e agora Campeche”, assinalou. Inobstante os problemas de mobilidade e impacto ambiental, o dirigente apóia até mesmo a realização de grandes eventos e a expansão imobiliária do bairro. “Acho que não temos que ser contra shows e novas edificações, porque isso é inevitável, mas sim lutar por infra-estrutura, normatização das construções e soluções de mobilidade”, ponderou. O empresário não teme que essa ‘bolha’ de popularidade possa ser prejudicial. “O Campeche tem alguns diferenciais, como sua orla medianamente preservada, que lhe permitem maior longevidade como praia da moda”. O presidente da Associação dos Moradores do bairro, Ataíde Silva, não comunga dessa leitura ‘romântica’ acerca do momento do Campeche. Para ele, por trás dessa súbita popularidade estaria um plano orquestrado pelas grandes construtoras, com apoio da mídia alinhada, para dar visibilidade ao bairro, catapultar a venda de imóveis e legitimar o avanço geométrico das novas edificações. “Não acho nada positivo ser a praia da moda, porque por trás disso vem um dano muito maior; o Norte da Ilha até hoje se arrepende e sofre pelo caminho que seguiu, não é esse o modelo de turismo que queremos e lutamos ”, disparou. “Isso vai contra tudo que pleiteamos no nosso projeto de plano diretor para o Campeche”, complementou. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)
14 de fevereiro de 2011
