11 de abril de 2011

Lançamento de esgoto em mar aberto enfrenta resistência no Campeche

A viabilização do emissário submarino de esgoto para lançamento de efluente em mar aberto, no Campeche, não terá vida fácil. O movimento comunitário do bairro e região, e de praticamente todo o Sul da Ilha, é quase unânime na rejeição ao modelo. Para combater o projeto e viabilizar a proposição de alternativas para esgotamento sanitário da região, foi criado há mais de um ano o Movimento de Saneamento Alternativo (Mosal), entidade que agrega dirigentes de várias vertentes comunitárias da região. Membro do Mosal, o presidente da Associação de Moradores do bairro (Amocam), Ataíde Silva, afirma que existem objeções viscerais da comunidade contra o modelo de emissário e outras, ainda mais pesadas, contra a confiabilidade na operação do sistema. “O sistema de emissário já está em desuso em todo o mundo; no Rio, onde existe o mais antigo do país, ele vive rompendo e pondo em risco a balneabilidade das praias”, argumenta. “O emissário é a solução mais barata e rápida, depois que estiver pronto, quem é que vai fiscalizar a qualidade do efluente lançado no mar”?, questiona Silva. “Ninguém confia na Casan; eles vão lançar esgoto in natura no mar, ninguém é ingênuo; e existe o risco até de futuramente mandarem todo esgoto do continente e até da Grande Florianópolis para o Campeche”, disparou. Por meios transversos, o temor dos dirigentes comunitários foi reforçado por recentes declarações do próprio prefeito Dário Berger, que disparou críticas à capacidade operacional da Casan. O Mosal insiste num projeto de mini-estações para tratamento do esgoto da região, com re-infiltração do efluente no solo para recarga do lençol freático. Nem todos, contudo, compactuam com essa alternativa. O presidente do Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, Vanderlei Farias, acha que a re-infiltração tem pouca viabilidade, em função do lençol freático da região ser muito aflorado. “O emissário é a solução mais viável, desde que sua operação seja democratizada, com a participação da comunidade na fiscalização do sistema”, assinalou. (Charge: Ivan Cabral/Novo Jornal – Natal(RN)/Divulgação/JC)