Angelo Poletto Mendes/Redação JC
Após intensa mobilização comunitária, que envolveu campanhas pelas redes sociais da internet e levou grupos de lideranças do Campeche e região até os gabinetes do Ministério Público, federal e estadual, Câmara de Vereadores e à Polícia Ambiental, foram interditadas na segunda quinzena de março as obras de construção de um prédio residencial, na Avenida Pequeno Príncipe, próximo à Avenida Campeche, que vinha despejando milhares de litros de água extraída do lençol freático no sistema de drenagem da rua há mais de 40 dias.
Atendendo a denúncias, a interdição do Campeche Beach Club foi promovida pela Polícia Militar Ambiental, que lavrou um auto de infração contra os responsáveis pelo empreendimento e informou o Ministério Público Federal sobre a interdição, para eventuais providências. Descoberto em plena temporada, o descarte de água chamou a atenção de veranistas e provocou revolta em moradores da região, que fizeram centenas de fotos do flagrante e espalharam pelas redes sociais da internet.
Embora o desperdício de água impressione, o rebaixe do lençol freático é infelizmente uma operação relativamente comum para viabilizar a fixação de fundações de grandes prédios em toda a Ilha, especialmente naqueles dotados de garagens subterrâneas. Biólogos alertam, contudo, que a proliferação dessa prática, sem o devido controle e fiscalização, pode pôr em risco a preservação das reservas de água subterrânea da capital. Um dos principais riscos é a contaminação pela água do mar, salinizando as reservas.
O presidente da Associação dos Moradores do bairro (Amocam), Ataíde Silva, atribui o agravamento do problema à falta de fiscalização. “Muitas obras são autorizadas para construírem dois pisos, mas fazem ainda pilotis, ático e garagem subterrânea; na prática, constroem cinco pavimentos numa área que permite dois pisos”, argumenta. Silva disse que a associação está finalizando um dossiê com todos os prédios em construção no Campeche, suspeitos de irregularidades, para encaminhar ao Ministério Público. “Queremos que seja proibida a inclusão de garagem no subsolo em todos os projetos residenciais no Campeche”. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)
