11 de abril de 2011

Projeto de emissãrio não avança e sistema só deve sair após 2014

O polêmico sistema de emissários submarinos de esgoto projetado para a Ilha de Santa Catarina, um deles previsto para o Campeche, dificilmente começará a operar antes de 2015. A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) admite que ainda existe um longo e penoso caminho à frente antes da viabilização efetiva dos dois equipamentos, o outro projetado para o balneário de Ingleses, no Norte da Ilha. O diretor técnico da Casan, Fábio Krieger, revela que o emissário dos Ingleses está em fase mais adiantada, já passou por audiência pública e aguarda conclusão de estudos solicitados pela Fundação Estadual do Meio-Ambiente (Fatma) para a obtenção da licença de instalação. Após o licenciamento, a Casan pode dar largada à licitação para contratação de execução do sistema que, por sua vez, demandaria em torno de mais dois anos de obras físicas. “Nos Ingleses, exigimos tratamento secundário e um ano de estudo de pluma (dejeto líquido), envolvendo movimento de correntes, em todas as estações do ano, para ver o risco de chegar à praia”, revelou o presidente da Fatma, Murilo Flores. No Campeche, o processo é ainda mais incipiente. “O emissário do Campeche está em fase de estudo da parte terrestre, envolvendo fauna, flora e dunas; é uma etapa trabalhosa, porque abrange 3,5 quilômetros de tubulação em terra”, explicou Krieger. Só depois de concluída dessa etapa, começam os estudos marítimos, envolvendo três quilômetros de tubulação submarina para despejo do efluente de esgoto em alto mar. A audiência pública sobre o equipamento no Campeche, que se estimava pudesse acontecer ainda antes do final de 2010, só deve mesmo ocorrer, segundo novos prognósticos da Casan, em abril do próximo ano. Depois da audiência pública, demandaria pelo menos mais 12 meses até o licenciamento efetivo da obra. O dirigente ressalta, contudo, que o equipamento previsto para o Campeche tem um grau de complexidade bem maior que o de Ingleses. Enquanto aquele terá bitola de 60 centímetros, atendendo exclusivamente à população do próprio balneário, estimada atualmente em 45 mil pessoas, o emissário do Campeche terá o dobro do tamanho, com projeção de atender todo o Sul da Ilha e parte das regiões oeste e centro da capital. “Essa a intenção, mas os estudos é que vão decidir; pode ser que tenhamos que reduzir a bitola e até expurgar regiões”, ponderou o dirigente. A Casan informou, por outro lado, que as obras das redes de tubulação e estações elevatórias do sistema do Campeche devem ganhar nova aceleração a partir deste mês. A rede terá 52 quilômetros de tubulações, dos quais 32 quilômetros já estariam instalados, e sete estações elevatórias. O cronograma da obra sofreu um aditamento e está prevista para conclusão em meados de 2012. A estação de saneamento do Rio Tavares, por sua vez, deve finalmente começar a ser construída a partir deste mês, após a superação de uma série de obstáculos legais e ambientais. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)