O Campeche vive um momento de efervescência imobiliária sem precedentes. Uma verdadeira avalanche de novos condomínios e edifícios residenciais tomou conta das principais avenidas e ruas da região e, a cada dia pipocam novos prédios, principalmente naquelas vias próximas à orla, mudando em caráter praticamente irreversível o perfil do outrora pacato bairro residencial. Em dois anos, o bairro pulou da quarta para a segunda posição no ranking dos maiores volumes de obras licenciadas na capital, segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon). O presidente do sindicato, Hélio Bairros, atribui essa expansão s leis de mercado. “A regra básica e imutável é a lei de mercado. Há uma demanda para imóveis nessa região; as maiores empresas costumam pesquisar antes de optar por uma região para investir”, argumenta, admitindo contudo que no vácuo das maiores venham dezenas de pequenas construtoras. “Infelizmente, existe muita informalidade também nessa região”, ressaltou Bairros, sugerindo cautela na decisão sobre a compra de imóveis na região. O dirigente garantiu, por outro, que o Sinduscon defende o respeito integral ao meio ambiente. “O meio-ambiente é agregador a qualquer produto e somos a favor de uma regulamentação clara nos limites necessários a qualquer nova edificação”, disse. Segundo Bairros, o perfil do comprador de imóvel na região seria diferenciado. “Trata-se de um público de alto padrão, muitos estrangeiros, japoneses e asiáticos, que desejam aliar praia e natureza com proximidade do aeroporto, centro e Lagoa”, ponderou. O mais imponente empreendimento em construção no bairro é o Condomínio Essence Life Residence, um complexo de 14 blocos residenciais que totalizam nada menos do que 250 apartamentos, pertencente à poderosa construtora paulista Rodobens, que está sendo edificado em parceria com a catarinense Kochplan, na Avenida Campeche. A direção da construtora, através de sua assessoria, informa que o investimento, de R$103,6 milhões, é o maior deste padrão em solo catarinense. Essa vertiginosa escalada de novas edificações é vista com preocupação pelas entidades comunitárias locais. O presidente da associação de moradores do Campeche, Ataíde Silva, considera que existe o risco de esgotamento dos recursos naturais da região, especialmente a capacidade de abastecimento de água, além do comprometimento da balneabilidade das praias, em função do esgotamento sanitário, e da própria mobilidade na região. “Novos moradores serão bem-vindos, mas é preciso que se tenha um compromisso com o respeito ao nosso meio-ambiente, as nossas tradições históricas e culturais e que se ofereça também uma compensação à comunidade”, ponderou. (Foto: Willi Heisterkamp/Divulgação/JC)
6 de junho de 2011
