12 de dezembro de 2025

FLORIPA projeta superverão com novo recorde de turistas; Sul terá 300mil visitantes

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

Depois de uma temporada considerada excelente no verão passado, com surpreendente presença de argentinos e também de chilenos, Florianópolis projeta a melhor temporada de sua história no Verão 2025/2026. A expectativa, afiançada pelo prefeito municipal Topázio Neto em declarações à mídia local, é que nada menos do que três milhões de visitantes passem pela capital nesta temporada.
Mesmo que essa temporada das previsões abarque seis meses (entre 15/11 e 15/05), numa nova e curiosa forma de abordagem estatística, é sem dúvida um número impressionante. Quase cinco vezes a população fixa do município, e 50% maior do que o projetado no mesmo período do ano passado, que foi de dois milhões de visitantes. O maior volume de visitantes naturalmente deve se concentrar no período de pico do verão, de meados de dezembro até o final de fevereiro.
Embora esses números sejam também de complexa quantificação, nutridos muito na base do achismo, comerciantes e dirigentes locais corroboram as expectativas. ‘Não acredito em tanta gente assim, mas tudo indica que será mesmo uma boa temporada; se repetir o desempenho do verão passado já ficaremos satisfeitos’, assinala o comerciante Arante Monteiro Filho, dono de tradicional restaurante no Sul da Ilha.
Um dos fatores que ampara as expectativas é o incremento no movimento aeroportuário previsto para capital nesta temporada, divulgado pelo aeroporto de Florianópolis, e novas conexões aéreas com destinos até então inéditos. O mais recente é uma conexão com a capital peruana Lima, com três voos semanais, que abre a porta para o ingresso também de turistas de países vizinhos como Colômbia e Equador. O aeroporto da capital já interliga oito países, entre eles Panamá e Portugal.
Acerca dos argentinos, paira alguma incerteza, em função do câmbio. ‘Não está tão bom para eles, mas ainda é favorável; acredito que eles virão em grande número, embora menos do que no verão assado’, acredita o presidente do Fórum de Turismo da Grande Florianópolis (ForTur) e ex-presidente da extinta Santur, Leandro Mané Ferrari. O dirigente acredita que no cômputo geral o verão na capital terá um equilíbrio de público: meio a meio entre nacionais e estrangeiros.
Mesmo que se confirme o declínio dos argentinos (e os hermanos sempre surpreendem!), o ingresso de novos fluxos estrangeiros de destinos pouco usuais deve equilibrar a balança com o turista nacional. ‘Já temos visto até alguns portugueses por aqui’, comenta Arante. No verão passado, os argentinos responderam por 80% dos estrangeiros e 30% dos turistas em geral que passaram pela Ilha ao longo de janeiro, conforme estimativas oficiais. Na temporada que antecedeu à última, predominaram os turistas nacionais.
O Sul da Ilha historicamente absorve cerca de 12% do total de turistas que passam por Florianópolis, com tendência crescente, o que projeta a presença na região de mais de 300 mil turistas ao longo deste período alongado, quase o triplo de sua população atual. ‘No verão passado, o Sul da Ilha recebeu muitos argentinos e estrangeiros; vamos ver se neste, repete’, comentou Ferrari.
O ex-secretário municipal de Turismo, Vinícius de Luca, acredita em outra peculiaridade: com o Carnaval mais cedo, a tendência é uma temporada mais linear. ‘Acho que dessa vez teremos um movimento mais constante, sem aquela queda abrupta após a segunda semana de janeiro’. Na temporada passada, apesar do bom resultado, as expectativas de movimento recorde acabaram muito prejudicadas pela enxurrada que devastou a cidade na segunda quinzena de janeiro, com repercussão nacional e até internacional. (Foto: Milton Ostetto/Divulgação/Arquivo/JC).