12 de dezembro de 2025

MOBILIDADE desponta como maior desafio para sucesso da temporada

Angelo Poletto Mendes/Redação JC

O principal obstáculo ao sucesso da temporada na capital, como de praxe, é a infra-estrutura. O primeiro e mais visível é a mobilidade, que se descortina tão logo chegue à cidade a tradicional massa de turistas a partir do pós-Natal. Apesar dos discursos de preparação, pouca coisa foi feita ao longo do ano para atacar o problema, exceto algumas intervenções viárias pontuais. A única de maior impacto, a construção de terceira pista parcial na rodovia que leva ao Norte da Ilha chega à temporada inacabada, com risco de agravar congestionamentos. No Sul da Ilha, nada relevante surgiu em termos de solução viária.
Único modal de transporte de massa na cidade, o transporte coletivo caminha para o tecnicismo, com o fim da aceitação de dinheiro, que deve afastar uma boa parcela de usuários, especialmente turistas. A Prefeitura aposta em atenuantes pontuais, no mesmo rumo: ampliação da frota de patinetes e bicicletas disponíveis por meio de aplicativos, que alcança o público mais jovem, disponibilização de estações de ferramental ciclístico gratuitas e uma central de monitoramento do trânsito em tempo real, para agilizar intervenções viárias.
O único gesto mais afetuoso sobre a mobilidade, embora tímido, é a provável passagem de ônibus gratuita aos domingos durante a temporada, que abocanha cifras significativas em subsídio público. A tarifa zero verdadeira, que já grassa em várias grandes cidades do país, ainda não é cogitada em Florianópolis, embora dados do próprio município apontem incremento de pelo menos 25% de usuários em dias de gratuidade. Com isso, teremos novamente a temporada do carro, com risco até de colapso na mobilidade no auge do verão.
Alguns entendem que a solução viária passa pela introdução do transporte marítimo, ônibus ultra-rápidos, corredores para ônibus e motos, e a integração de modais, o que no atual estágio da cidade parece quase utópico. Na sequência de entraves, aparece a balneabilidade das praias, que antes mesmo da chegada dos turistas já se encontravam em situação preocupante, conforme os levantamentos do IMA (Instituto de Meio Ambiente) estadual. No ano passado, houve até um surto de viroses durante a temporada, que lotou postos de saúde. Com a expansão predial geométrica da cidade e algumas chicanas para descarte de efluentes (lançamento na rede de drenagem), esse problema tende a se agravar.
O abastecimento de água que por longos anos gerou muita dor de cabeça, felizmente parece que não será problema. ‘Começamos o planejamento desta temporada lá atrás, ainda em março, e está descartado qualquer risco de racionamento’, garante o diretor de Operação e Expansão da Casan, Pedro Joel Horstmann. Na escala de obstáculos, outro não menos desprezível é o preço. Florianópolis é considerada uma cidade cara, que fica ainda mais cara durante a temporada. O que salva a cidade é a beleza de suas praias, que sublima todos gargalos, emociona os turistas e sempre carrega nas costas o sucesso da temporada. (Foto: Lucas Amorelli/Divulgação/Arquivo/JC).