12 de dezembro de 2025

CALOR potencializa perigos à saúde intestinal e exige cuidados no verão

Considerada uma doença autolimitada, geralmente sintomática de alguma outra enfermidade, e de maior incidência no verão e períodos de calor, a diarreia é considerada aguda quando dura a partir de 14 dias. Muitas vezes até é possível se passar sem tratamento, mas o ideal é ser logo tratada para se evitarem quadros clínicos mais graves. Na farmácia podemos atuar, se o distúrbio tiver poucos dias, nos bebés, um dia, nas crianças e idosos dois dias e nos adultos três a quatro dias.
Caso seja um episódio mais prolongado, de mais dias, deve ser obrigatório ir de imediato ao médico. Até aos cinco anos de idade, a diarreia é potencialmente fatal: a disfunção, em sua forma aguda, mata 5,6 milhões de crianças anualmente, em nível mundial. As fatalidades acontecem sobremaneira nos países subdesenvolvidos ou em via de desenvolvimento. Para se considerar que seja uma diarreia aguda, os utentes devem queixar-se de três ou mais dejeções por dia, com fezes líquidas ou pastosas. As bactérias e os vírus em excesso no intestino, provocam maior produção de água pelo próprio intestino, o que leva à expulsão de água e eletrólitos em demasia e a consequente desidratação.
Por isso a reidratação oral é muito importante, até para que os rins não sejam também lesados. O doente queixa-se muitas vezes de sede, boca seca, urina escura, olhos encovados. Se o doente não urinar há mais de seis horas, o quadro é grave. Se as crianças choram sem lágrimas é já muito grave, também. A reidratação deve ser feita com soro de reidratação oral, nas doses e com a frequência indicada pelo laboratório. A diarreia pode ser de origem infeciosa, provocada por vírus, bactérias ou parasitas. Pode ter uma origem não infeciosa e ser provocada pela toma de alguns medicamentos como sejam os antibióticos, os laxantes, a metformina, ou anti-inflamatórios.
Ainda como origem não infeciosas pode ter a causa em certas patologias, como a síndrome do intestino irritável, nos celíacos e nas pessoas que têm doença de crown, por exemplo. Ainda como origem não infeciosa, há a referir os desequilíbrios alimentares, como seja a toma excessiva de café, de gorduras ou apenas uma mudança alimentar como acontece muito em viagens. Como tratamento imediato pode-se recomendar a toma de leveduras como a Saccharomyces  Boulardii. Estas leveduras que são muitas vezes receitadas para quem está a tomar antibióticos, estabelecem o equilíbrio ajudando a expulsar o agente patogénico, a restabelecer a função intestinal de absorção dos nutrientes e têm ainda uma ação anti-inflamatória.
Há que indicar como medidas preventivas, fazer-se a higiene das mãos, lavagem dos legumes e frutas frescas, higiene dos utensílios de cozinha e da louça e talheres que se usam nas refeições.  Deve-se por isso aconselhar: reidratação oral; toma de S. Boulardii ou outro probiótico; tomar inibidores da mobilidade intestinal, mas apenas pontualmente, para não se correr o risco dos agentes patogénicos ficarem retidos no organismo; controlar a febre; verificar se há perda de sangue nas fezes. Nestes dois últimos casos, o doente deve ir a uma consulta médica.
Temos de ter atenção a quem toma medicação diária, a diarreia irá diminuir a absorção dos medicamentos. No caso do doente estar a tomar antibiótico, o único suplemento que se deve aconselhar são as leveduras, os outros probióticos serão destruídos pelo antibiótico.

(Texto: Maria Leonor Castro e Silva/Farma&Farma Farmácia Popular Campeche).