19 de fevereiro de 2026

VOLTA ÀS AULAS acende o sinal de alerta para casos de miopia infantil

A criança troca de lugar na sala, aproxima o rosto do caderno, reclama de dor de cabeça no fim do turno e perde o interesse pela leitura. Em muitos casos, o que parece desatenção é um problema de visão que ainda não virou queixa espontânea. Com o início das aulas na rede estadual catarinense em 19 de fevereiro, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia reforça que a escola costuma ser o primeiro ambiente a expor o avanço da miopia e de outros erros de refração na infância.
No Brasil, uma revisão de estudos sobre o tema estimou que 7,65% das crianças em idade escolar têm miopia. Já o tempo de tela aparece como um fator associado ao problema: uma pesquisa publicada em 2025 na JAMA Network Open identificou que cada hora a mais por dia em frente a telas está ligada a um aumento de 21% nas chances de desenvolver miopia.
Para a médica-oftalmopediatra Thaís Surgik, o risco não está só na aprendizagem: “quando enxergar exige esforço, isso se reflete em cansaço, irritação e queda de interesse por atividades de leitura; identificar cedo e acompanhar faz diferença”. A SCO reforça ainda que erros de refração sem correção concentram parte importante das dificuldades visuais na infância e cita referência da Sociedade Brasileira de Pediatria, que aponta que eles podem responder por até 69% dos problemas visuais nessa faixa etária e menciona estimativa  e menciona estimativa de 23 milhões de crianças na América Latina com dificuldade relacionada à refração não corrigida.
Sinais que merecem atenção na escola e em casa: Aproximação excessiva do caderno, livro, celular ou tablete; dificuldade para ver o quadro, apertar os olhos para focar, pedir para trocar de lugar; dor de cabeça recorrente, ardor nos olhos, cansaço ao final do turno; desinteresse por leitura e tarefas, queda de participação em atividades visuais; e irritabilidade no fim do dia, com baixo rendimento sem causa aparente.
Danos mais comuns quando o problema passa sem correção: além de comprometer a aprendizagem e a participação em sala, a falta de correção adequada pode manter a criança em esforço visual constante, com sintomas como cefaleia e fadiga. Em termos de saúde ocular, a miopia que progride e se torna alta aumenta o risco de problemas mais graves ao longo da vida, como descolamento de retina, glaucoma e catarata. Outro ponto de alerta é que erros de refração não corrigidos concentram grande parte dos problemas visuais na infância.
Como evitar e reduzir o risco: com exames no tempo certo e acompanhamento; recomendações de sociedades médicas indicam exame ocular completo com oftalmologista entre três e cinco anos e reavaliações conforme orientação profissional. Revisões periódicas: em crianças e adolescentes, a correção pode mudar ao longo do tempo; por isso, exames regulares ajudam a ajustar óculos ou lentes quando necessário. Atividades ao ar livre: aumentar o tempo fora de ambientes fechados é uma estratégia associada a menor risco de desenvolver miopia. Ergonomia simples para estudo: boa iluminação, leitura sem o rosto colado no material e intervalos regulares durante tarefas de perto ajudam a reduzir o esforço visual.
A Sociedade Catarinense de Oftalmologia orienta que, diante de sinais persistentes, a criança seja encaminhada para avaliação oftalmológica completa. Para as escolas, a recomendação é tratar queixas visuais como parte da rotina de acolhimento no início do ano letivo, especialmente nos primeiros meses, quando o problema costuma ficar evidente em sala.
(Fonte: Assessoria de Imprensa Sociedade Catarinense de Oftalmologia.
Texto: André Seben, jornalista.
F:48-99172.7304. Foto: Divulgação/JC)