Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly, sete crianças comuns, com problemas comuns… Fugindo de valentões, enfrentando diversidades e os hormônios a flor da pele, nessa fase de transição entre a infância e a adolescência. Curtiam suas férias escolares, em mais um verão comum… No entanto, o que eles não sabiam é que em breve teriam que enfrentar, nos subterrâneos da pacata cidade de Derry, um mal, um medo imortal e primitivo que dormia um sono profundo, mas estava prestes a despertar…
E pior! Mesmo depois de uma batalha épica que quase acabou com a existência deles, 27 anos depois, ‘A Coisa’ voltou! E eles terão que cumprir a promessa feita na infância, que se ‘A Coisa’ voltasse, eles terminariam aquilo que começaram e acabariam com ela de uma vez por todas…
O épico de Stephen King vai muito além de um simples livro de terror. Ao longo de suas 1.102 páginas, ele descreve o horror esparramado pela criatura/entidade (leiam e entenderão) que aterroriza a cidade de Derry desde sua fundação (ou até antes).
Isso, pouco a pouco vai sendo descoberto pelo bibliotecário Mike Hanlon, que fica simplesmente obcecado pela criatura, e vai buscando registros e relatos cada vez mais longínquos e começa a perceber que o palhaço no bueiro, que é capaz de invadir sua mente e reproduzir seus piores medos, pode ser algo muito mais aterrorizante que alguém tenha certa vez imaginado! E decide então reunir seus amigos mais uma vez e finalmente cumprir sua promessa feita há tanto tempo!
A narrativa de King é simplesmente impressionante! Ele já ganha logo de cara a empatia do leitor porque os personagens principais – o chamado “Clube dos Otários” -, são sete crianças que sofrem bullying por diversos motivos, cada um como se fosse um arquétipo, simbolizando um determinado tipo de preconceito sofrido: cor da pele, sexualidade, peso, condição financeira, estado de saúde, gênero e problemas de comunicação. Dificilmente alguém não tenha sido perturbado na infância por possuir alguma dessas características, por isso, partes do livro se tornam quase um espelho e o leitor volta a infância e “corre” dos valentões junto com as crianças do livro.
O quebra-cabeça criado por King é genial! Pois a história não possui um único narrador, e como os personagens no presente não lembram o que ocorreu 27 anos atrás, cada capitulo é narrado pelas próprias crianças (e alguns pelo próprio IT e outros antagonistas), agora adultas, lembrando aos poucos do que ocorreu no passado, montando pouco a pouco as peças de um gigante quebra-cabeças. E a transição que é feita entre as linhas temporais é tão sutil que é impossível querer parar de ler no fim de cada capítulo!
Muito além do terror e do medo, que já são especialidades de King, para quem já acompanha o trabalho do autor, nessa obra ele aborda também temas polêmicos como racismo, homofobia, machismo, misoginia, maus tratos infantis e mostra que a sociedade pode se tornar um monstro muito pior do que o fictício e, às vezes, só precisa de um empurrãozinho para causar uma atrocidade!
(Texto: Warley Starks/Sebo Refúgio Cultural Floripa. Av. Pequeno Príncipe, 1455. Loja 8. Campeche. F:48-98861.6876(w). Foto: Divulgação/JC.
3 de novembro de 2026
